Acesse seus artigos salvos em
Minha Folha, sua área personalizada
Acesse os artigos do assunto seguido na
Minha Folha, sua área personalizada
Assinantes podem liberar 5 acessos por dia para conteúdos da Folha
Assinantes podem liberar 5 acessos por dia para conteúdos da Folha
Assinantes podem liberar 5 acessos por dia para conteúdos da Folha
Recurso exclusivo para assinantes
assine ou faça login
Gostaria de receber as principais notícias
do Brasil e do mundo?
Professor catedrático convidado na NOVA School of Business and Economics, em Portugal. Nomeado Young Global Leader pelo Fórum Econômico Mundial, em 2017
Recurso exclusivo para assinantes
assine ou faça login
Assinantes podem liberar 5 acessos por dia para conteúdos da Folha
Assinantes podem liberar 5 acessos por dia para conteúdos da Folha
Assinantes podem liberar 5 acessos por dia para conteúdos da Folha
Recurso exclusivo para assinantes
assine ou faça login
Talvez o melhor antídoto contra a jatância bolsonarista pós-eleitoral seja a Copa do Mundo.
O jogo de abertura está agendado para 20 de novembro, poucas semanas depois da eleição. As camisas verde-amarelas que simbolizam uma ideologia irão se diluir no mar de torcedores da seleção brasileira.
Mas a pergunta que muitos, com legitimidade, farão é: deveremos boicotar a Copa? Nunca um campeonato do mundo foi tão alvejado por ambientalistas e defensores dos direitos humanos.
O Qatar é um regime feudal autoritário, governado por uma família tribal que impõe um sistema social que viola a dignidade de mulheres e imigrantes pobres (sistema kafala). São inúmeras as suspeitas de corrupção na atribuição da Copa ao país.
Um relatório oficial da FIFA concluiu que, para ganhar a eleição, o país chegou aos limites das regras de conduta. Para construir os estádios e toda a infraestruturas de apoio, os imigrantes foram sujeitos a um regime escravocrata com longas horas de trabalho mal remunerado e debaixo de temperaturas desérticas, apropriadas para hipertermófilos, mas não para seres humanos. Milhares morreram. O The Guardian estimou serem 6.500 pessoas, mas os registros públicos do Qatar para esta categoria de trabalhador (a maioria imigrante vinda da Ásia do Sul) são tão precários quanto o número de mortes por Covid na China ou na Coreia do Norte.
As ambições das autoridades locais para que os estádios fossem ecológicos e a Copa fosse a primeira “net zero” (neutralidade carbónica) da história só serão concretizáveis com maquiagem na contabilidade das emissões.
Mas o que significa boicotar a Copa? Quando pensamos na Copa de 1978, nos lembramos dos históricos jogos contra a arquirrival Argentina (0 a 0) e contra a Itália (o Brasil ganhou de virada, por 2 a 1, ficando com o 3º lugar). Mas o evento foi disputado na Argentina, em plena ditadura militar. Perto do estádio Monumental, palco da final, vítimas da ditadura foram torturadas na Escola Mecânica da Armada. A nossa memória é seletiva.
A última Copa, a de 2018, foi disputada na Rússia, poucos anos depois de Putin ter esmagado os protestos pró-democracia de 2013-2014 na Ucrânia e de invadido e anexado a Crimeia em 2014. A Rússia era tão autocrática em 2018 quanto é hoje. Por que não boicotamos?
O Qatar ocupa um constrangedor 114º lugar (entre 167 países) no Democracy Index 2021 da The Economist. Mas o Egito é o 132º da mesma lista. Vamos boicotar a COP27 a ser realizada na cidade egípcia de Sharm el-Sheikh em novembro deste ano? E vamos deixar de acompanhar o Paris Saint-Germain por ter sido comprado pelo Qatar Sports Investments, um fundo de investimentos vinculado ao governo do Qatar? É fácil ser ético, mas é muito difícil sê-lo sem incoerências.
Um boicote também pressupõe um determinismo ético que é sempre baseado em critérios que derivam de regulamentos pessoais e, por isso, dificilmente universalizáveis. A moralidade e a virtude –a distinção do certo e do errado– é contingente a experiências individuais subjetivas e a códigos culturais e religiosos específicos.
Mas deveremos, por isso, usar a dificuldade em sermos consistentes como subterfúgio para não sentirmos culpa a cada vez que ligamos a TV para assistirmos um jogo? Ou a parcialidade da ética?
Creio que continua a haver espaço para a indignação. Se a maioria dos jogadores contemporâneos se silenciam perante as deficiências éticas do mundo, preferindo firmar contratos que os obrigam ao eterno sorriso, o futebol brasileiro tem tradição de contestação.
Sócrates foi um ícone democrático, defendeu causas sociais e manteve voz ativa contra a ditadura. Paulo André foi um dos protagonistas do movimento Bom Senso F.C, que cobrava melhores condições no futebol brasileiro. Richarlison, atualmente no Tottenham, posicionou-se contra as queimadas no Pantanal e criticou práticas não científicas no combate à pandemia. O futebol não está fadado a ser monomaníaco.
No Qatar, a Confederação Brasileira de Futebol deveria permitir que os jogadores manifestem a sua indignação, caso o desejem. Dentro dos estádios, a censura da FIFA será ubíqua. Mas fora deles, nada deveria impedir os jogadores, ou a CBF, de prestarem homenagem a todos os trabalhadores mortos ou a manifestarem o seu apoio à sacralidade da democracia, tal como geralmente fazem contra o racismo. Por que parte dos prêmios de jogo não poderá ser canalizada para ONGs que apoiam os trabalhadores imigrantes, as famílias das vítimas, ou causas ambientais?
É naturalmente possível que algumas destas ações sejam táticas de relações públicas. Mas serão úteis. Servirão para nos relembrar que houve quem deu a vida para que houvesse a festa da Copa. E que os craques não são só aqueles que fazem gols.
LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar cinco acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.
Assinantes podem liberar 5 acessos por dia para conteúdos da Folha
Assinantes podem liberar 5 acessos por dia para conteúdos da Folha
Assinantes podem liberar 5 acessos por dia para conteúdos da Folha
Recurso exclusivo para assinantes
assine ou faça login
Leia tudo sobre o tema e siga:
Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas (conheça aqui). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!
Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?
Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.
Carregando…
Carregando…
Cidadania global: formação para além do bilinguismo
Brilho eterno: Tiffany cresce e planeja dobrar vendas no Brasil
Entenda o que é deep fake e saiba como se proteger
Seminário aponta caminhos para acelerar a transição energética
Cursos de direito devem romper com passado e ampliar aprendizado
Rastreamento pode reduzir mortes por câncer de pulmão
Clara facilita vida das empresas na gestão de gastos corporativos
Abertura do mercado de energia vai modernizar setor no Brasil
A nova era no cuidado do câncer de pulmão
Chegada do 5G traz revolução para o dia a dia dos negócios
Tecnologia com inclusão e diversidade gera inovação
Podcast debate nova geração de testes genéticos na psiquiatria
Coleção especial celebra os 60 anos da Vivara
Avanço de pesquisas e mais investimentos em genômica revolucionam a medicina
Mastercard apoia inclusão digital de empreendedores das favelas
PARCERIA NA TRANSFORMAÇÃO DIGITAL, DE PONTA A PONTA
Ciência comprova eficácia e aponta novos caminhos para Cannabis medicinal
Prevenção ao suicídio exige engajamento de toda a sociedade
Inteligência artificial e automação moldam o futuro das empresas
Soluções de cibersegurança reforçam confiança do consumidor nas empresas
Tecnologia permite que pessoas recebam pela comercialização de seus dados
Tecnologia da Mastercard possibilita transferências com uso de cartão de débito
Consumidor já pode pagar suas contas com o rosto
Recurso exclusivo para assinantes
assine ou faça login
Apesar das falas duras, clima foi moderado; rivais reforçaram argumentos da campanha de 2º turno
Recurso exclusivo para assinantes
assine ou faça login
Suspeitas envolveram calúnia, mau uso de recursos públicos, estelionato e até homicídio
Recurso exclusivo para assinantes
assine ou faça login
Lula estava visivelmente mais à vontade e relaxado que Bolsonaro
O jornal Folha de S.Paulo é publicado pela Empresa Folha da Manhã S.A.
Copyright Folha de S.Paulo. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folhapress.
Cadastro realizado com sucesso!
Por favor, tente mais tarde!