Foto: Catve
Os sonhos podem nos mover para direções diferentes daquelas que imaginamos, mas algumas vezes, para conquistá-los é necessário permitir mudanças. Até mesmo as que tiram da zona de conforto.
Foi o que Alex Lima fez para assumir o emprego que tanto queria. Ele era de Salvador, na Bahia, a mais de 2.600 km de distância do Paraná. Em 2019 descobriu uma prova para o concurso da Itaipu Binacional, considerada uma das maiores geradoras de energia elétrica da América Latina. Uma grande oportunidade, mas também desafiadora.
Despretensiosamente resolveu se inscrever no processo seletivo. Quando saiu o resultado ficou surpreso, foi convocado para a vaga. E apesar da mudança drástica, decidiu assumir, o plano de carreira era bom e com benefícios, uma chave para a porta da qualidade de vida. “Morava em Salvador, uma cidade com mais de três milhões de habitantes, o ritmo de vida é diferente, perde-se muito tempo com deslocamentos. Eu estava trabalhando a 80 km de casa, então aqui em Foz do Iguaçu as distâncias são bem menores e acabou refletindo em mais tempo livre para fazer outras coisas além do trabalho”, justifica.
Alex é Engenheiro Civil na Divisão de Infraestrutura e Manutenção, hoje trabalha na diretoria de coordenação na gestão de contratos e convênios e com fiscalização de obras na Usina Hidrelétrica. Passou por uma enorme mudança de vida, mas é grato por ter encontrado no Oeste um novo caminho.
A região cresceu apoiada no agronegócio, com pequenos produtores e indústrias que se tornaram fortes. Mas a dinâmica e potencial de mercado fizeram com que os municípios aumentassem de forma significativa nos últimos anos. E mesmo com a pandemia da Covid-19, que gerou muitas dúvidas e medos, principalmente em relação à economia, o oeste foi na contramão, continuou expandindo, inclusive o mercado de trabalho, permitindo que se tornasse referência quando o assunto é oportunidade.
Ao todo são cerca de 50 municípios agrupados em três principais cidades: Cascavel, Foz do Iguaçu e Toledo, que são núcleos urbanos importantes para o desenvolvimento de vários segmentos.
O setor de serviços têm se destacado, pois a geração de empregos tornou a região um espaço para mudança de vida e crescimento profissional. Fazendo com que as pessoas busquem no Oeste uma chance de recomeço. Algumas transições são drásticas, outras nem tanto, porém sempre com muitos desafios. A paranaense Fabiana Stamm, morava em Curitiba e também decidiu mudar para crescer. Há um ano, a zootecnista veio para Foz do Iguaçu trabalhar no Refúgio Biológico Bela Vista, na Itaipu. “Conheci esse trabalho com a fauna e flora feito pela Itaipu em 2012, durante uma visita técnica que fiz, enquanto cursava a faculdade, e me encantei com o trabalho”, disse.
E mesmo que a distância não seja tão grande, como foi para o Alex, Fabiana precisou abrir mão de estar perto da família, dos amigos para abraçar a oportunidade profissional. “Assim que abriu o concurso, não pensei duas vezes antes de me inscrever e me dediquei bastante nos estudos para passar na prova,” ressaltou a zootecnista.
Hoje ela cuida principalmente da parte da dieta dos animais do refúgio, faz tabelas nutricionais e verifica a alimentação deles. Além disso, é responsável pela gestão do setor de nutrição, na cotação de produtos, qualidade, quantidade e armazenamento.
Os números comprovam o cenário de novas possibilidades na região. No ano passado, Foz do Iguaçu foi a cidade apontada com o maior número de empregos gerados no Paraná, levando em consideração os novos postos em relação a um milhão de pessoas. Em novembro foram 1.099 novas vagas de trabalho, ou seja 4.260,17 postos de trabalho para cada um milhão de habitantes, conforme dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados).
Em Toledo, no início de outubro deste ano havia 2.554 vagas de emprego. De acordo com Cristiano da Silva, coordenador da Agência do Trabalhador, a cidade (37,96% da população) fica atrás somente de Curitiba (38,48%) no percentual de pessoas com registro em carteira. E esse panorama se repete na região inteira, com a alta demanda para contratação de mão-de-obra. “Muita gente vem de outros estados, por conta desse destaque da nossa região na geração de empregos, recebemos ligações e mensagens de pessoas pedindo como é o cenário de empregos na cidade. Empresas também solicitam informações do mercado de mão-de-obra no município,” disse.
Em Cascavel, a agência disponibiliza quase todos os dias mais de 900 vagas. No último levantamento do Sejuf apontou 1.465 oportunidades. Para a gerente da Agência do Trabalhador, Marlene Crivelari, os números são reflexo do crescimento do oeste paranaense.”Hoje os empresários estão cada vez mais aumentando seus negócios. Depois da pandemia, os estabelecimentos se renovaram. Nosso oeste vive um momento de muitas mudanças. Passamos nos bairros pequenos e percebemos quantas inovações, construções e estruturas diferentes. Com isso, as empresas vão se expandindo para esses locais”, ressaltou.
Mas o cenário positivo não é apenas para trabalhadores com carteira assinada, o empreendedor também ganhou força nos últimos anos. Conforme a Fundetec (Fundação para Desenvolvimento Científico e Tecnológico), em Cascavel existem 47.248 empresas, dessas, 21.612 são MEI’s (Microempreendedores individuais). Apenas em 2022, foram abertas 6.921 empresas até agosto. Isso representa uma taxa média de abertura de 865 por mês, 28 por dia, ou então cerca de duas por hora.
Para o Rafael Amaral, diretor técnico da Fundação, os fatores preponderantes para as taxas serem tão expressivas tem relação com a facilidade em abrir um negócio no município. Por meio de um programa de desburocratização, iniciado em 2020, que com o Redesim (Rede nacional de simplificação) liberou o licenciamento de mais de 441 atividades, das mais de 1.300 possíveis. “Isso faz com que Cascavel esteja entre os 10 no ranking de velocidade na abertura de empresas, considerando cidades com mais de 100 mil habitantes,” explicou.
Além disso, os trabalhos da Semdec (Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico) e da Fundetec facilitam e fomentam o empreendedorismo inovador.
A Semdec conta com programa de acesso ao crédito, como o Banco da Mulher, subsidiando 100% dos juros para as empreendedoras ou o Barracão Produtivo, que paga por até dois anos a locação de barracão para aqueles que queiram gerar empregos.
Já a Fundetec só em 2022 viabilizou mais de 20 empresas de base tecnológica. Os empreendedores recebem suporte técnico, gerencial e financeiro para o início da operação.
Melina Melito é um exemplo disso, tem uma empresa de assessoria científica, em que fornece serviços para facilitar o desenvolvimento de estudos feitos por acadêmicos, docentes e pesquisadores. Por meio de um dos programas da Fundação conseguiu estruturar o negócio.
Ano passado começou a atuar de forma profissional na área de assessoria científica e como uma pessoa individual. “Além de todo preparo, com mentorias e encontros, houve um apoio financeiro, promovido pela Fundetec foi essencial para o desenvolvimento. Saí de empreendedora individual para uma empresa da área de inovação,” ressaltou.
O Oeste está bem posicionado no índice de desenvolvimento estadual e também nacional. O potencial de transformação da região estimula o crescimento de novos postos de trabalho. Cenário que permitiu a transformação para muitas pessoas. Mas é claro que, os caminhos escolhidos podem mudar as trajetórias da vida e ao longo do percurso, algumas portas se fecham e outras se abrem, basta escolher em qual lugar ficar. Para Alex, Fabiana e Melina é no oeste a terra de oportunidades que escolhem viver sonhos reais.
Redação Catve.com
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