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Apesar da polêmica com a diferença dos levantamentos em relação ao que se viu nas urnas, pesquisas costumam ser bem mais precisas no segundo turno; saiba o que esperar da reta final da campanha
As pesquisas eleitorais do segundo turno estão mais para uma fotografia do que para um filme. Muda instituto, muda contratante e elas mostram quase a mesma pose na corrida pelo Palácio do Planalto: o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera, mas o presidente Jair Bolsonaro (PL) reduz a vantagem do petista.
O retrato também é parecido com o resultado do primeiro turno, quando Lula obteve 57,2 milhões de votos válidos, ou 48,43% do contabilizado pela Justiça Eleitoral. Bolsonaro, candidato à reeleição, recebeu 51 milhões de votos, ou 43,20% do total.
Na ocasião, muito se falou da diferença entre o que as pesquisas mostravam e o que realmente aconteceu na primeira etapa da eleição. Afinal, diversos institutos ainda mostravam, às vésperas da votação, uma chance de Lula liquidar a disputa no dia 2 de outubro. No entanto, indicavam também que o segundo turno entre eles era o cenário mais provável.
Seja como for, o fato é que, se olharmos a tendência dos levantamentos dos últimos anos, a fotografia do segundo turno costuma trazer uma imagem bem mais nítida e fiel do vencedor.
E o que os levantamentos mostram a uma semana da votação é que Lula se mantém à frente na preferência do eleitor, mas com pouca margem para erros se quiser voltar a ocupar o Palácio do Planalto.
Confira a seguir os números mais recentes das principais pesquisas divulgadas até agora, considerando apenas os votos válidos, ou seja, excluindo brancos nulos e indecisos:
Pela média do agregador de pesquisas elaborado pelo Estadão, o placar de momento seria de 52% a 48% em favor de Lula se o segundo turno ocorresse hoje.
A única divergência a esse cenário é uma pesquisa Futura/ModalMais segundo a qual Bolsonaro teria 50,5% dos votos válidos e Lula, 49,5%. A margem de erro desse levantamento, divulgado na última sexta-feira (21), é de 2,2 pontos porcentuais para mais ou para menos.
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Com a presidência em jogo, os candidatos ao Palácio do Planalto partiram para o tudo ou nada — um movimento que fica mais nítido do lado de Lula, que resolveu sair da defensiva na reta final das eleições.
Nas duas últimas semanas, por exemplo, a campanha petista atacou Bolsonaro na propaganda da TV como preguiçoso, incompetente, corrupto, satanista e até pedófilo.
É verdade que o presidente deu combustível para o rival. No fim de semana passado, o trecho de uma entrevista na qual o presidente contava que havia “pintado um clima” com garotas de 14 anos se tornou o tema mais comentado na internet.
A fala foi compartilhada mais de 30 milhões de vezes no YouTube e exibida na TV aberta pelo PT antes de o uso do trecho da entrevista ser proibido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Bolsonaro viu-se obrigado a jogar na defensiva, gravando vídeos e até mesmo participando de uma live no meio da madrugada para alegar que foi mal compreendido e que a fala teria sido distorcida.
A equipe de campanha de Lula também acusa Bolsonaro de compra de votos diante da profusão de medidas do governo voltada para o eleitorado de baixa renda em pleno período eleitoral.
Entretanto, o resultado da propaganda negativa não se traduziu em mais votos para Lula, como mostram as pesquisas divulgadas no decorrer da última semana.
Bolsonaro, por sua vez, não fica para trás nos ataques. O presidente tem acusado Lula de ter a intenção de legalizar as drogas e o aborto de maneira indiscriminada e de querer implementar o que os defensores da pauta de costumes chamam de “ideologia de gênero”.
Em meio à troca de acusações, Bolsonaro colheu frutos em segmentos importantes, como entre eleitores de baixa renda, e chegou a ultrapassar numericamente o adversário no Sudeste, a região mais populosa do país.
Talvez o movimento mais inesperado tenha ocorrido entre os católicos. Supunha-se que a arruaça bolsonarista na procissão de Nossa Senhora Aparecida, em 12 de outubro, traria rejeição ao presidente.
Segundo a medição do Ipec depois do ocorrido, porém, Bolsonaro cresceu entre os eleitores católicos de 34% para 38%, enquanto Lula caiu de 60% para 56%.
Lula, por sua vez, faz acenos ao eleitorado evangélico, que vota majoritariamente em Bolsonaro.
Numa carta dirigida ao público evangélico, o candidato petista aborda temas que se supunha terem sido superados no século 19, mas que voltaram à tona com força nos últimos anos. No documento, Lula defende o respeito à liberdade religiosa e à separação entre Estado e Igreja.
A campanha bolsonarista aposta ainda na virada dos votos e no convencimento dos indecisos. Nesta semana, em discurso em Juiz de Fora (MG), Bolsonaro fez um apelo: “Vamos virar os votos e buscar os indecisos para que possam comparecer às urnas”.
A ideia é tentar minimizar a abstenção e reverter o resultado do primeiro turno em cidades com colégios eleitorais importantes na Zona da Mata mineira. Em Juiz de Fora, por exemplo, Bolsonaro teve 38% dos votos no primeiro turno, contra 52% de Lula.
Entretanto, a disputa pelo voto dos indecisos é mais inglória do que parece. As pesquisas que incorporam dados sobre o voto em primeiro turno têm mostrado que a maioria dos eleitores de Simone Tebet (MDB) e Ciro Gomes (PDT) tende a optar por Lula se for votar no próximo domingo.
Ao mesmo tempo, voltando ao agregador de pesquisas do Estadão, Lula tem 48% dos votos totais, contra 44% de Bolsonaro.
Número, aliás, muito próximo da proporção de votos válidos registrada pelos candidatos no primeiro turno.
Se os levantamentos estiverem corretos, é como se, dos 6,2 milhões de votos de vantagem de Lula no primeiro turno, Bolsonaro tivesse diminuído essa margem para 4,8 milhões.
Em tese, restariam 8% dos votos em disputa. Considerando que o primeiro turno contou com 4,2% de votos brancos e nulos, restaria apenas 3,8% do eleitorado em disputa.
E é nesse aspecto que a situação se complica para Bolsonaro. A maioria das pesquisas aponta para uma taxa de indecisão de 4% do eleitorado total, ou 4,7 milhões.
Enquanto isso, a taxa de decisão no voto em Lula e Bolsonaro supera os 90% entre os eleitores de cada um deles. Essa situação limita muito a margem de viragem de voto.
Para conseguir a reeleição, o atual presidente precisaria, na prática, convencer todos os indecisos a votarem nele e ainda virar o voto de uma parcela dos eleitores de Lula.
É fato que, ao votar em primeiro turno ou ao responder às pesquisas, o eleitor não assina nenhuma espécie de compromisso que o obrigue a manter o voto no segundo turno.
Também é verdade que, embora o voto seja obrigatório no Brasil, o eleitor pode simplesmente não votar no segundo turno. E é aqui que entra em jogo o que as campanhas de Lula e Bolsonaro enxergam como decisivo para essa reta final: a taxa de abstenção.
Por mais que as pesquisas de segundo turno tragam um retrato mais fiel da possível realidade das urnas, a taxa de abstenção é um elemento que não pode ser controlado e tem o potencial de mudar o cenário da disputa.
No primeiro turno, em 2 de outubro, o nível de abstenção chegou a 20,9% — o maior para essa rodada desde 1998, quando o percentual foi de 20,3%. Isto quer dizer que 32 milhões de eleitores que estavam aptos não compareceram às urnas.
Tradicionalmente, a abstenção aumenta no segundo turno. Em 2018, a taxa de abstenção em segundo turno atingiu 21,3% dos eleitores. E a expectativa é de que seja ainda maior este ano.
Não à toa, integrantes das equipes de Lula e de Bolsonaro estão preocupados com a ausência dos eleitores no segundo turno.
Do lado petista, a campanha decidiu, por exemplo, pedir à Justiça que o transporte público seja gratuito no dia do segundo turno. A demanda foi acatada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e pode impactar o nível de comparecimento de eleitores de renda mais baixa..
Com isso, prefeituras e empresas de ônibus poderão oferecer transporte público gratuito no próximo dia 30 sem que posteriormente possam ser enquadradas em algum crime de responsabilidade. De qualquer modo, trata-se de uma decisão facultativa de cada prefeitura.
Já a campanha de Bolsonaro está preocupada com dois aspectos: a tradicional abstenção maior do segundo turno e o feriado de 2 de novembro, três dias após o segundo turno.
O comitê de campanha do atual presidente avalia que parte do eleitorado de renda mais elevada, entre o qual Bolsonaro prevalece, aproveitará o feriado para viajar.
Avalia também que, entre esse grupo, há pessoas que não estão totalmente convencidas a votar em Bolsonaro e, portanto, abririam mão de votar.
Especialistas afirmam que, tradicionalmente, a abstenção em segundo turno costuma favorecer o candidato com melhor desempenho em primeiro turno. No caso, Lula.
No cenário de 2022, considera-se que a abstenção passaria a favorecer Bolsonaro a partir de uma taxa de 24% a 25%, índices jamais registrados desde as eleições de 1989.
Seja como for, a uma semana do segundo turno, levando-se em consideração as margens — e também possíveis erros — das pesquisas, abstenções e o fato de muita gente se decidir apenas quando está de frente para a urna, as eleições presidenciais estão tudo, menos definidas.
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Datafolha, Ipec e mais: O que dizem as pesquisas a uma semana do segundo turno das eleições entre Lula e Bolsonaro – Seu Dinheiro