Livro revela detalhes de negócios obscuros que Jair Bolsonaro quer esconder – UOL Confere

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.
Chico Alves é jornalista, por duas vezes ganhou o Prêmio Embratel de Jornalismo e foi menção honrosa no Prêmio Vladimir Herzog. Foi editor-assistente na revista ISTOÉ e editor-chefe do jornal O DIA. É co-autor do livro ‘Paraíso Armado’, sobre a crise na Segurança Pública no Rio, em parceria com Aziz Filho.
Colunista do UOL
09/09/2022 09h00
Nos últimos dias, uma das prioridades da campanha do presidente Jair Bolsonaro à reeleição é tentar explicar como ele e vários integrantes da família compraram 107 imóveis de 1990 para cá – e principalmente como 51 deles foram adquiridos com dinheiro vivo. A informação foi publicada em matérias do UOL. Além de transações suspeitas como essas, também fazem parte do histórico do clã acusações de rachadinha, depósitos bancários mal esclarecidos e outros rolos verificados desde que Bolsonaro entrou na política.
Entender quais motivações e personagens obscuros estão por trás dessa movimentação é algo que interessa a todos os brasileiros, já que se trata do presidente da República e sua família. Essa tarefa foi abraçada pela jornalista Juliana Dal Piva, colunista do UOL, ao escrever o livro “O Negócio do Jair: A história proibida do clã Bolsonaro” (Editora Zahar), que chegará às livrarias na segunda-feira.

O livro é resultado de mais de três anos de apuração, em que Dal Piva teve acesso a depoimentos exclusivos, cópias sigilosas dos autos judiciais, fez mais de cinquenta entrevistas, pesquisou mil páginas de documentos, vídeos e gravações de áudio. O texto reconstitui o método pelo qual Bolsonaro e seus parentes acumularam milhões de reais e construíram um projeto político à sombra das legendas partidárias.

É possível acompanhar a rápida transição do discurso moralizador que era a marca de Bolsonaro em 1988, quando estreou como vereador carioca, para a adesão à prática imoral, com emprego de familiares em Brasília, no esquema coordenado pela ex-mulher, Ana Cristina Siqueira Valle.
O ponto de partida da história é o escândalo das rachadinhas, que veio à tona em 2018. Papel de destaque para Flávio Bolsonaro, filho do presidente que era deputado estadual no Rio de Janeiro e hoje é senador, e Fabrício Queiroz, um ex-PM que atuava no gabinete do filho 01 para recolher o dinheiro que funcionários do mandato devolviam ao parlamentar.
Além de dar aos fatos o encadeamento lógico, o que facilita o entendimento do método da família, a autora revela detalhes dos bastidores. Ficamos sabendo, por exemplo, das estranhas turbulências na apuração do caso.
Em dezembro de 2019, a equipe da Procuradoria-Geral de Justiça do Rio de Janeiro tentou evitar que a famosa loja de chocolates de Flávio, recordista de vendas em espécie, entrasse na lista de endereços da busca e apreensão. Os promotores responsáveis ameaçaram entregar os cargos se ocorresse alguma interferência. A busca, então, foi mantida.

Livro O Negócio do Jair: A História Proibida do Clã Bolsonaro - Zahar - Divulgação - Divulgação

Imagem: Divulgação

Não é somente rachadinha. O livro mostra que a teia da família Bolsonaro está ligada a figuras que transitam por outras modalidades de crimes. Como Adriano da Nóbrega, o capitão da PM que virou chefe de milícia de Rio das Pedras e integrante do Escritório do Crime, grupo criminoso suspeito de assassinar a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes A mãe e a mulher de Nóbrega estavam na engrenagem da rachadinha. Ele acabou executado na Bahia em 2020, por policiais baianos e fluminenses.
Outro personagem peculiar é o advogado da família Frederick Wassef, que ficou nacionalmente conhecido como o dono da casa onde Fabrício Queiroz estava escondido, em Atibaia. Wassef também cumpriu missões mais nobres. Foi ele quem, em dezembro de 2018, esteve em um jantar com o então desembargador Kassio Nunes Marques no Rio de Janeiro, como relata a jornalista. O encontro mostra que a relação dos dois é antiga e já existiam planos ambiciosos para Nunes Marques com a chegada de Bolsonaro à presidência
Há no livro ainda conflitos familiares, traições, rompantes presidenciais.
Ao fim da leitura, tem-se a nítida impressão de que o “Negócio” de Jair Bolsonaro obedece a um plano minuciosamente executado, que a cada passo envolve novos personagens de peso. Ao contrário do que parece, nada é aleatório.
São relacionadas pistas claras sobre as ilegalidades que Bolsonaro e seu clã teriam cometido, mesmo que, ao contrário do versículo que exalta a verdade que liberta, o presidente faça o possível para manter tudo às escondidas.
No livro, Juliana Dal Piva fez o possível para juntar as peças do quebra-cabeças e informar o leitor.
O resto agora é com a Justiça.
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