Você está na Edição Brasil. Para acessar edições de outras regiões, clique aqui.
Seleção está em Turim, Itália, para treinamentos antes de embarcar para o Qatar (0:12)
Lucas Paquetá disputará no Qatar sua primeira Copa do Mundo. Um dos prováveis titulares de Tite para a estreia contra a Sérvia na próxima quinta-feira (24), o meia chegou, porém, a pensar que nunca mais vestiria a camisa amarelinha depois de uma atuação ruim em derrota contra a Argentina, em 2019.
“Teve um momento em que eu não estava bem no Milan, mas mesmo assim o professor Tite me levou e me devolveu essa confiança, e eu joguei um jogo. Acho que o Neymar não estava, aí eu joguei com a camisa 10 e não fiz um bom jogo“, iniciou ele, em entrevista concedida por intermédio da “Betway”.
Além de todo o conteúdo ESPN, com o Combo+ você tem acesso ao melhor do entretenimento de Star+ e às franquias mais amadas de Disney+. Assine já!
“Eu escutei muitas coisas, claro que a gente não vê, acompanhar a rede social, tudo mais, mas você acaba vendo, acaba escutando. Não tem como fugir disso. Isso me machucou muito, machucou minha família. Mas como eu disse, a gente sempre escutou, de cabeça baixa, porque a gente sabe que faz parte”, seguiu.
A partida em questão aconteceu em novembro de 2019, em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes. Neymar estava machucado, e Paquetá herdou a camisa 10. Diante da Argentina, ele foi titular, mas foi substituído no segundo tempo, por Philippe Coutinho. O Brasil perdeu por 1 a 0.
Abalado com essas críticas, Paquetá confessou a seus familiares mais próximos o pensamento que não teria mais chances na seleção brasileira. Um dos auxiliares que integra a comissão técnica de Tite, o filho do treinador, Matheus Bachi, foi fundamental para mudar essa percepção.
“Os jogadores me apoiaram muito, mas acho que um cara assim que mudou a minha cabeça foi o Matheus, filho do Tite. Depois desse jogo, eu liguei para minha esposa, para os meus pais e falei, acho que eu não jogo nunca mais na seleção, né? Que é a primeira coisa que a gente pensa. Eu desliguei o telefone, ele bateu lá na porta, e falou: ‘Posso conversar com você?’ Acho que nunca contei isso.“
“Aí ele conversou comigo. ‘Cara, a gente confia muito em você, fica tranquilo, não se cobra tanto. Você é um grande jogador, a gente tem certeza disso. E faz parte jogar mal, faz parte não ir bem. Você precisa de momentos como esse para crescer.’ Enfim, me deu um gatilho ali, sabe? E partir daquele momento ali a minha cabeça virou totalmente.”
“Ele falou sobre me preparar, sobre me concentrar. E eu busquei tudo isso, sabe? Claro que aí depois eu tive um jogo contra a Coreia (do Sul), logo depois, novamente com a camisa 10, que é uma camisa muito pesada da seleção brasileira. Eu fiz gol, aí aquilo ali já me mudando, sabe?”, completou ele, já lembrando o jogo seguinte daquela Data Fifa.
“E logo em seguida eu voltei pra casa, meu filho nasceu e aí, sabe, a minha vida foi mudando muito. Comecei a me preparar diferente, comecei a me alimentar diferente, comecei a fazer tudo diferente. E a partir daquela conversa ali, todas as vezes que eu voltei para a seleção, graças a Deus, eu pude ir muito bem e ir conquistando o meu espaço pouco a pouco. Então, acho que o Matheus, filho do Tite, foi um cara que mudou, sim, o meu pensamento. A comissão, no caso, a comissão da seleção”.
De fato, a vida de Paquetá mudou bastante desde aquela conversa. O Milan (e a má fase) ficou para trás em 2020, quando ele foi comprado pelo Lyon. O brasileiro virou destaque do time e, nesta temporada, se transferiu para o West Ham, da Inglaterra. Já a gratidão a Matheus segue…
“Acho que são pessoas como essas que mudam a trajetória de um jogador dentro do futebol. E eu sou muito grato a eles por isso, porque mudou ali na seleção, eu voltei para o clube, mudou minha cabeça. Cheguei no Lyon, já era outro jogador. Então, sabe, são coisas assim que eu nunca esqueço.”
Às vésperas de sua primeira Copa do Mundo, Paquetá sabe que a pressão que sentiu ao vestir a camisa 10 há três anos deve se repetir agora. Mesmo com outro número às costas – vestirá a 7 –, o meia se vê hoje preparado para corresponder às expectativas.
“Essa pressão, ela existe, você não tem como fugir, você está representando milhões de pessoas e todo mundo parando para olhar os jogos, todo mundo parando para torcer. E no início para mim foi um pouco difícil vestir a camisa da seleção, confesso. Eu era um moleque, recebi algumas críticas, que são normais, fazem parte, você tem que escutar.”
“Às vezes não concordava com algumas, mas escutava de cabeça baixa, tranquilo. Trabalhei muito e a partir daí fui ganhando confiança, com o apoio da comissão, com o apoio dos jogadores. Então acho que faz parte esse processo também porque não é fácil jogar na seleção. A disputa é muito grande e quando você está aí você tem que fazer o seu melhor. Adquiri as críticas construtivas, busquei melhorar e hoje, graças a Deus, vivo um momento muito bom dentro da seleção.”
Paquetá pensou que nunca mais jogaria na seleção brasileira, mas conversa com auxiliar de Tite mudou isso – ESPN.com.br