'Abriu portas para Jesus no Flamengo e Abel no Palmeiras': como foi a tumultuada passagem do técnico da Coreia pelo Brasil – ESPN.com.br

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Técnico da Coreia do Sul, que enfrenta a seleção brasileira nesta segunda-feira (5) pelas oitavas de final da Copa do Mundo do Qatar, Paulo Bento teve uma passagem curta e bastante conturbada pelo Brasil, em 2016, pelo Cruzeiro.
A história do treinador português na Raposa começou após a demissão do ex-atacante Deivid, no final de abril, após a queda na semifinal do Mineiro. Mas ele esteve longe de ser a primeira opção. A diretoria celeste havia tentado a contratação de Jorginho e Marcelo Oliveira, além de ter falado com Reinaldo Rueda e ter cogitado até Marcelo Gallardo. Ricardo Gomes chegou a ter tudo praticamente certo, mas desistiu em cima da hora e permaneceu no Botafogo.

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O nome de Bento foi oferecido ao clube pelo empresário Deco, que teve uma longa carreira como jogador em Portugal.
Ele viu que estávamos com dificuldades para conseguir um treinador brasileiro porque os principais nomes estavam empregados. Não queríamos apostar em argentinos ou uruguaios porque nenhum deles tinha feito sucesso aqui. O Deco disse que os portugueses davam certo em qualquer lugar do mundo e não teria a dificuldade da língua”, disse Bruno Vicintin, ex-vice de futebol, ao ESPN.com.br.
Em seguida, ele viajou com o diretor Thiago Scuro a Lisboa para conversar com o treinador e em pouco tempo acertaram a contratação do português.
Foi algo muito ousado porque foi o primeiro treinador europeu que chegou ao Brasil em muito tempo“, contou Bruno.
O técnico chegou ao Cruzeiro com a experiência por ter comandado o Sporting (entre 2005 e 2009) e a seleção portuguesa, entre 2010 e 2014. Ele havia sido demitido após a eliminação na primeira fase da Copa do Mundo realizada no Brasil e com uma derrota logo em seguida para a Albânia, em duelo válido pelas eliminatórias da Euro-2016.
Terceiro estrangeiro a comandar o Cruzeiro, após o uruguaio Ricardo Diéz e o argentino Filpo Nuñez, Bento chegou com uma comissão técnica própria composta de cinco portugueses.
O Paulo é uma pessoa muito séria e trabalhadora. Na parte tática é muito forte. Não deixa de ter sido uma ideia inovadora e que depois abriu as portas para os outros treinadores portugueses que tiveram o sucesso que o Paulo não teve, como o Abel Ferreira no Palmeiras e o Jorge Jesus no Flamengo. Hoje, estou em Portugal e todos lembram disso”, disse Bruno, que atualmente é proprietário do Santa Clara, clube da primeira divisão portuguesa.
Foi a primeira contratação de um treinador europeu de primeira linha no Brasil e abriu o mercado. Vejo que ficou um legado porque foi uma ideia de explorar um nicho que não era explorado. O mercado era muito fechado porque tinham poucos treinadores experientes que rodavam os times ou você apostava nos jovens”.
Conhecido por ser um disciplinador e pela personalidade forte, Paulo Bento tentou rejuvenescer o time titular, colocando nomes como Léo, Bruno Rodrigo, Manoel e Ariel Cabral no banco de reservas. Ele deu espaço para jovens como Fabrício Bruno, Bruno Viana e Alex.
Além disso, afastou o atacante Reascos, que disparou críticas ao time depois de uma derrota para o Fluminense. Ele ainda encostou e, depois, demitiu o auxiliar Geraldo Delamore, que estava no clube desde 2015.
O principal momento do português aconteceu na vitória por 3 a 2 no clássico contra o Atlético-MG. Com ele, porém, o Cruzeiro venceu apenas dois dos nove jogos que disputou em casa (25% de aproveitamento). Assim foi difícil manter o apoio dos torcedores celestes, que o vaiaram nas últimas partidas.
Após a derrota para o Sport por 2 a 1, em duelo válido pelo Brasileirão, Bento foi demitido. Ele deixou o Cruzeiro na vice-lanterna do torneio, com apenas 15 pontos em 16 jogos.
“Ele não chegou no início de temporada e pegou um momento delicado do clube. Precisou se adaptar ao futebol brasileiro durante o Campeonato Brasileiro, que tem muitas diferenças em relação a Portugal nos elencos e na logística. A gente qualificou o elenco no meio da temporada com quatro reforços que deram muito certo: Robinho, Sóbis, Ábila e Rafinha. Eles chegaram no fim da passagem do Paulo e quase não estrearam”, disse.
No total, o português dirigiu o time por 75 dias em 17 jogos, com seis vitórias, três empates e oito derrotas, aproveitamento de 41,17% dos pontos.
Um dia depois da saída de Paulo, Mano Menezes voltou à Toca da Raposa.
“Paulo é um treinador de primeira linha e tinha ideias muito boas, mas que infelizmente não funcionaram pelo momento delicado. Estávamos em um processo de transição do time bicampeão brasileiro em 2013 e 2014 para a equipe bicampeã da Copa do Brasil em 2017 e 2018. A contratação não deu certo pelo momento, não por causa do Paulo“, disse Bruno.
Após a saída do Cruzeiro, Paulo comandou o Olympiacos e o Chongqing Dangdai antes de chegar à seleção da Coréia do Sul. Somente no ano passado ele recebeu os valores que ficaram pendentes com o clube brasileiro.
Hoje na Copa com a Coreia, o português lembra com carinho do Cruzeiro, mas também não esquece o fato que talvez não fosse tão conhecido assim pelos dirigentes quando foi contratado.
Acompanhamos (o Cruzeiro), mesmo após nossa saída. Creio que é algo que faz parte do futebol (a demissão precoce). No Brasil, um pouco mais do que em outro pais em relação a saídas de treinadores. Isso não invalida o respeito que ficamos pelo clube, as pessoas com quem trabalhamos. Todas essas lembranças temos. Não creio que o fato de ter saído não tenhamos boas recordações“, disse.
“Creio que deve ser importante as pessoas saberem o que querem, porque querem. Se é português, italiano, brasileiro, inglês, não interessa. Interessa saberem a competência das pessoas que querem para os cargos. Não quer dizer que um português teve sucesso, vamos buscar outro português. Não creio que seja o caminho. Claro, técnicos portugueses são competentes, mas o mais importante é que, quem contrata, saiba o que quer. E muitas vezes eles não sabem”, cutucou em seguida, na véspera das oitavas de final.

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