Neymar, o líder: como astro do Brasil mudou após virar 'meme' em Copa e agora comanda sonho do hexa – ESPN.com.br

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Neymar é sempre o último jogador do Brasil a descer do ônibus, sair do vestiário nos treinos ou na fila para entrar em campo nos jogos. Deve ser assim novamente nesta quinta-feira (24), na estreia da seleção na Copa do Mundo do Qatar, contra a Sérvia, às 16h (horário de Brasília). Se literalmente não é o craque quem puxa o grupo de jogadores, ele é, sim, um dos maiores líderes do time que carrega a responsabilidade de tentar o hexacampeonato em 2022.
Liderança certamente não é a primeira característica que vem à cabeça ao se pensar nas maiores qualidades de Neymar no futebol. Mas é esse o atributo que tem sido exaltado por companheiros e o técnico Tite nas semanas que antecederam o Mundial. Isso tudo em um contexto no qual, quando o assunto é Copa, a última imagem que as pessoas têm do brasileiro são de suas quedas espalhafatosas na Rússia, e não os dois gols marcados em 2018.

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Só que, após virar “meme”, Neymar parece outro depois de quatro anos, com uma preparação feita para chegar “voando” ao Qatar. E não apenas no aspecto técnico – ainda que ele seja um dos jogadores com mais participações em gols na elite da Europa, com 24 em apenas 19 jogos.
É porque, nas duas últimas Copas, ele já era o melhor jogador do Brasil. Mas o desfecho nunca foi como esperado. Em 2014, o Mundial acabou com uma lesão que o tirou da semifinal contra a Alemanha; e, na Rússia, o período que antecedeu o torneio acabou prejudicado por contusão no pé.
“O Neymar chega para uma competição tão importante em um nível muito bom. Ele teve uma preparação diferenciada. Hoje, sem preocupação (com lesões), ele chega bem melhor preparado”, avaliou Thiago Silva, que conviveu por anos com o craque no PSG, assim como Marquinhos.
“O Neymar chega numa forma física excelente, acompanho o dia a dia dele, sei o quanto ele está focado, o quanto ele abriu mão, tudo que ele está fazendo para chegar bem. É de se inspirar, ficar orgulhoso, pelo amigo próximo que sou. Ele está bem, feliz”, detalhou o outro titular da defesa.
Na seleção, especificamente, há também uma percepção de que Neymar está menos sozinho do que em anos anteriores para decidir. O crescimento de jovens no ataque parece ter feito o Brasil menos dependente de sua principal estrela – só que ele também teve um papel importante para isso.
Raphinha talvez seja o melhor exemplo. Provável titular contra Sérvia, o atacante estreou pela seleção há pouco mais de um ano, em outubro de 2021, diante da Venezuela nas eliminatórias. Logo de cara, participou de três gols, todos depois de um conselho de Neymar que é lembrado até hoje.
“No vestiário, ele me perguntou se eu ia entrar. Eu disse que não sabia. Ele me perguntou se poderia me dar um conselho, e eu, obviamente, disse que sim. Pediria mais dez conselhos naquele momento se fosse possível. Ele me falou para ser eu mesmo, para jogar o futebol que me fez chegar à seleção. O futebol que me fez estar ali naquele momento, para ir para cima, não baixar a cabeça se perder a bola. Por que, se só passasse a bola para o lado, teria milhões de jogadores para fazer. Para eu mostrar minha personalidade e fazer aquilo que eu sei.”
“Escutar aquilo do Neymar, que é uma referência dentro e fora de campo, para mim foi uma honra imensa. Levo isso comigo até hoje”, contou ele, em entrevista recentemente publicada pelo “GE”.
Rodrygo, um dos mais jovens do grupo do Brasil na Copa, “bebe” dessa mesma fonte. “É uma honra jogar com ele. Cresci vendo ele jogar. Ele sempre foi um líder, desde a época que eu estava no Santos. Eu via a liderança. Ele passa muita confiança para a gente que está chegando. É um cara fantástico de ter no grupo. Além da qualidade dele, por toda confiança que passa para a gente.”
Aos 30 anos, Neymar não está mais no grupo dos mais jovens da seleção, mas ele tem garantido que todos eles se sintam bem-recebidos e confiantes, algo que é notado também por Tite. O técnico decidiu não dar mais a braçadeira de capitão ao camisa 10, como já fez no passado, mas talvez ele o veja hoje como um líder muito mais preparado do que o de anos anteriores.
“Não precisa de faixa para ser capitão, ela é mais representativa. Quando eu fiquei algumas vezes modificando, é porque ela tem esse cunho, de ser respeitada e de dar liderança. Agora, existem diversas formas de liderar. Uma é saber se comunicar com a imprensa. Capacidade de comunicação é um atributo de liderança. Tem gente que tem muita dificuldade”, disse, em entrevista ao UOL.
“Ele (Neymar) é um dos líderes. Tem uma naturalidade muito maior, mas tem dificuldade com vocês (da imprensa) de externar isso. Mas quando está no ambiente de seleção, ele é o primeiro a fazer assim com os jovens (faz o gesto de abraçar). Talvez tenha essa identificação. Não estou falando para fazer dele algo. Estou falando a verdade. No bastidor, ele tem um outro talento.
Thiago Silva, que será o capitão do Brasil na Copa do Qatar, enxerga o mesmo. E aposta que os jovens vão “retribuir” o abraço fora de campo ajudando Neymar dentro dele. “O mais legal é que não tem vaidade nenhuma. Nosso grupo recebeu muito bem todos jovens que chegaram. E, na minha opinião, vão deixar Neymar ainda mais confortável. São bons no um contra um, vão abrir espaço, deixá-lo mais livre entre linhas. E temos que tirar o melhor proveito desse Neymar.”
Danilo é outro que conhece bem Neymar, com quem foi campeão no Santos. Também já no grupo dos “trintões” da seleção, o lateral revela outro lado da liderança do camisa 10 que ajuda todo time, não só os mais jovens.
“Do Neymar, sobre dependência técnica, já foi reconhecido. Mas é mais legal agora porque se trabalha junto. Neymar faz os outros jogar melhor, e vice-versa. Neste momento, acho que existe entrosamento muito grande com aqueles todos da frente que jogam bem para caramba. Eles se potencializam entre si, entendendo as movimentações. É muito bonito de se ver.”
A importância no grupo às vezes não é vista por quem está fora. Algo que gosto muito é que ele é muito positivo todo tempo. Pode estar um pouco pior a situação, mas ele joga para cima, dá confiança. Considero importante. Enxergar sempre pelo melhor lado. É carismático, muitos anos no futebol europeu, conviveu com diferentes líderes. E desenvolveu isso que é uma de suas qualidades.”
Nada disso, no entanto, alivia a pressão. E o dono da camisa 10, a mesma que já foi de Pelé, sabe. Os olhares estão sempre atentos – a ponto de uma simples estrela colocada em uma imagem com o escudo da seleção ter gerado polêmica e ser vista como “arrogância. Uma estreia ruim contra a Sérvia pode reavivar todos os questionamentos. Mas o “líder” Neymar parece mais pronto do que nunca para encarar o desafio.

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