Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.
Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa – a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.
24/11/2022 17h54
Neymar não joga sempre espetacularmente bem. Não faz dois gols e dá três assistências em todas as partidas que disputa. Mas é muito, muito raro vê-lo jogando mal. Foi o que aconteceu nesta quinta, no Lusail Stadium.
O Brasil ganhou da Sérvia por 2 a 0 “sem” Neymar. No primeiro tempo, ele ficou fora do jogo. Recebeu poucas bolas, estava desatento, não conseguiu participar da dinâmica de uma partida dura, contra um time que sabia exatamente a que jogava. No segundo tempo, participou mais. Não necessariamente melhorou. Tecnicamente errático, fora da rotação de um time que voltou com tudo do intervalo. Acabou sendo substituído, talvez estivesse sentindo algo durante o jogo todo e isso justifique a atuação ruim.
No site estatístico SofaScore, que usa inteligência artificial para dar notas aos jogadores, Neymar teve a pior avaliação da partida. Foram 81 toques na bola, 9 passes errados, nenhum drible certo, 26 posses de bola perdidas.
A formação ofensiva de Tite precisa de Neymar. O sistema sacrifica Paquetá, que joga longe dos atacantes, abre dois pontas pelos lados e cria um espaço enorme para o melhor jogador do time trabalhar entre linhas. Tanto que, mesmo mal, Neymar participa da jogada do gol crucial, o primeiro. Tenta enfileirar adversários, erra, perde a bola, mas ela sobra limpa para Vinícius Jr chutar. O goleiro espalmou e Richarlison, que “fede gol”, completou. Depois, novamente a conexão Vini-Richarlison funcionou para o 2 a 0.
Foi um jogo bom do Brasil, considerando que o adversário trouxe muitos problemas. O primeiro gol abriu a lata, e aí virou um vendaval para cima da Sérvia. É muito difícil imaginar o time de Tite levando uma virada no torneio, são muitas as opções de banco e são jogadores espetaculares para atacar o espaço e contra golpear.
O melhor em campo foi Casemiro, disparado. É o dono do time. Vinícius foi melhor que Raphinha, que perdeu dois gols claríssimos com o jogo empatado em 0 a 0. E destaco também a participação de Rodrygo, que entrou pela esquerda e, depois da substituição de Neymar, virou o ponto de ligação por trás do atacante de referência (que já era Gabriel Jesus a essas alturas).
O fato é que, para a autoconfiança do time, é importante ganhar sem Neymar. O Brasil acaba provando para todo mundo e, principalmente, para si próprio, que a dependência de Neymar está no passado.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL
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