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O ator pornô Kid Bengala faz campanha afirmando que vai “meter o pau” na bagunça da política brasileira.
Dinei, ex-jogador que atuou no Corinthians, pede votos “em quem tem Mundial”, numa provocação ao rival Palmeiras. Em Minas Gerais, um ex-prefeito sai de um caixão e diz: “Tentaram me matar e se ferraram”.
No vale-tudo eleitoral, candidatos usam as redes sociais e o horário eleitoral no rádio e na TV para tentar conquistar votos e aumentar o engajamento por meio de conteúdos pretensamente bem-humorados.
Bengala viralizou com o vídeo no qual também diz que vai “entrar é com tudo” se eleito. “Eu, como todo brasileiro e brasileira, tô de saco cheio de tanta sacanagem na política”, afirma o candidato da União Brasil, em trocadilho que funciona no discurso falado, mas esbarra numa vírgula na reprodução textual.
Esta não é a primeira vez que o ator disputa uma eleição. Em 2020, concorreu a vereador em São Paulo pelo PTB e usou a mesma estratégia, com expressões como “pau para toda obra”. Não deu certo —teve menos de mil votos. Na campanha para deputado estadual, em 2014, somou 1.106 votos. Em 2008, quando se candidatou pela primeira vez, reuniu 902 votos e também não conseguiu se eleger.
Desta vez, espera um desfecho diferente com a viralização de vídeos curtos nas redes —o formato vem ganhando força com a popularização da plataforma TikTok e da ferramenta Reels, do Instagram.
Além de artistas e atletas, sósias e candidatos com nomes de famosos ganham visibilidade na disputa.
Com 2,3 milhões de seguidores no TikTok, Juracilde de Lima Pinto, o Wolverine do Tick Tok (PTB), tenta vaga na Assembleia Legislativa de São Paulo com dancinhas nas quais ostenta garras afiadas, cabelos espetados e barba semelhante ao do personagem dos quadrinhos da Marvel. O candidato adota o slogan “Deus, pátria, família e liberdade” e, ao menos na plataforma, deixa as propostas de lado.
Do mesmo partido, mas no Rio, Jeferson Sales, sósia do jogador Gabriel Barbosa, o Gabigol, do Flamengo, diz que decidiu disputar uma vaga na Assembleia Legislativa depois de ter sido mal acolhido em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e que suas principais bandeiras são o esporte e a educação.
Os novatos se juntam a uma figura carimbada, Tiririca (PL-SP), que tenta se eleger deputado federal pela quarta vez parodiando o cantor Roberto Carlos. “Cala a boca, bicho. Eu jogo o microfone aqui na sua cara. Respeita o rei”, diz o humorista, imitando o artista em peça veiculada na TV e que viralizou nas redes.
No vídeo, o político lembra episódio recente em que o Roberto Carlos se irritou com fã durante um show.
Parte do êxito de Tiririca, na Câmara desde 2011, deve-se à estratégia em torno de sua candidatura, historicamente cara, diz Humberto Dantas, cientista político e diretor do Movimento Voto Consciente.
Além de recursos para a campanha na TV e nas redes, ele aponta que nas últimas eleições o candidato fez ações de divulgação nas periferias.
“A campanha dele não tem nada de simples. Não basta ir à TV e dizer que é o Tiririca. Apelar para o humor por vezes não tem graça, e é muito mais difícil se eleger do que as pessoas pensam”, diz Dantas. “Em campanhas anteriores, pessoas mais famosas tiveram votações pífias.”
O investimento de partidos em candidaturas de famosos ou de pessoas com muitos seguidores nas redes sociais é parte da estratégia dos “puxadores de votos”. No sistema eleitoral proporcional —para a escolha de vereadores e de deputados—, a soma de votos em um partido define o número de vagas que ele terá.
Um resumo com o que de mais importante a Folha destaca sobre a eleição
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Em Minas, Jésus Lima (PT) usou uma tentativa de atentado contra ele para fazer graça. Nas redes, o ex-prefeito de Betim sai de um caixão e pede votos para se eleger deputado estadual. “Tentaram me matar e se ferraram. Ressuscitei. Tô de volta para a luta continuar”, diz, ao som da “Marcha Fúnebre”, de Chopin.
Jésus sofreu um atentado a tiros meses após assumir a chefia da cidade na Grande Belo Horizonte, em 1997 —de acordo com as investigações à época, o ataque foi motivado por disputas políticas. Ele foi atingido com quatro disparos no tórax e na perna direita. Passou cerca de um mês internado.
Muitos que apelam ao humor recebem votos de protesto de quem não se vê representado por políticos tradicionais. Em alguns casos, essas manifestações se converteram em votações expressivas a animais.
Em 1988, quando o sistema eleitoral ainda não era eletrônico, o chimpanzé Tião teve seu nome escrito por mais de 400 mil eleitores nas cédulas de papel na disputa pela Prefeitura do Rio de Janeiro. Se a votação tivesse sido validada, o primata teria ficado em terceiro lugar.
Um ano antes, como forma de protesto contra a incapacidade do governo municipal de conter uma epidemia de dengue, 29 mil pessoas em Vila Velha, no Espírito Santo, escreveram “mosquito” nas cédulas para ocupar a prefeitura. A Justiça, claro, anulou os votos, e o segundo mais votado assumiu o cargo.
Agora, passada a fase dos animais, o candidato do Novo ao Senado em São Paulo recorreu a uma fruta, na toada do ditado “se quiser aparecer, pendure uma melancia na cabeça”. Na TV, Ricardo Mellão diz: “Chega dessa abobrinha. Me dá esse melão. Meu nome é Ricardo Mellão, igual a este melão aqui, só que com dois Ls”.
Até aqui, a estratégia parece não ter gerado resultado expressivo. De acordo com a última pesquisa Datafolha, o ex-governador Márcio França (PSB) lidera a corrida para o Senado em São Paulo, com 30% das intenções de voto. Mellão só foi mencionado por 1% dos eleitores.
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