Sexta-feira, dois de dezembro de 2022. Contando com hoje, Jair Bolsonaro só tem mais 30 dias como presidente. É tão bom que parece mentira. 30 dias – tempo curto, num instante passa até a posse de Lula. 30 dias – pode ser um tempo longo, o suficiente para que alguém tente concretizar os sonhos antidemocráticos de Bolsonaro.
Lá na frente, os cientistas políticos explicarão o que de fato aconteceu para que o Brasil tivesse Jair Bolsonaro como presidente. Por enquanto, as explicações ainda não têm o necessário distanciamento histórico. Apenas busco consolo na frase sábia do grande Tom Jobim: “O Brasil não é para principiantes”.
De 1985 até hoje, o Brasil teve oito presidentes: José Sarney (o último eleito pela via indireta), Fernando Collor de Mello, Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso (dois mandatos), Luiz Inácio Lula da Silva (dois mandatos), Dilma Rousseff (segundo mandato não concluído), Michel Temer e Jair Bolsonaro.
Collor sofreu impeachment e teve o mandato concluído por Itamar. Dilma sofreu impeachment e teve o mandato concluído por Temer. Até 2018, você podia dizer, sem medo de errar, que Collor e Temer foram os piores. Com a eleição de Bolsonaro, é dele o título de pior presidente que o Brasil teve desde a redemocratização.
É desnecessário enumerar os defeitos de Bolsonaro. São tantos, que falta espaço. Mas é bom dizer que, por todo o seu mandato, Bolsonaro atentou contra a democracia e contra o próprio Brasil, foi desleal com os que lhe eram leais, transformou adversários políticos em inimigos, separou famílias, acabou com velhas amizades.
Há milhões de brasileiros emocionalmente doentes por causa de Bolsonaro. Estados depressivos por vezes severos acometeram seus opositores, aqueles que não suportaram vê-lo desconstruir o Brasil. Na extrema-direita, milhões perderam a sanidade, como atesta essa gente que há um mês pede socorro às Forças Armadas.
Vejam o tamanho do transe coletivo. O bolsonarismo se apoderou do verde e do amarelo, da Bandeira Nacional, do Hino Nacional, da Seleção Brasileira, do 7 de Setembro. Agora, na Copa do Mundo, em seus acampamentos, os bolsonaristas não querem ser confundidos com os que torcem pela Seleção e sugerem que as camisas amarelas sejam substituídas pelas brancas e pelas camufladas. Já no lugar do Hino Nacional, devem ser cantados o Hino da Independência e a Canção do Expedicionário. À luz da razão, é difícil explicar a mudança.
Desde que foi derrotado, Bolsonaro está recluso e silencioso. É depressão ou há algo além disso em gestação? Saberemos no máximo em 30 dias. Enquanto isso, Lula é quem dá a pauta, é quem comanda a agenda política, parecendo que seu governo já começou. Agora mesmo, acaba de puxar o poderoso Arthur Lira para o seu lado, numa jogada que, pelo excesso de pragmatismo, incomoda muitos dos seus velhos companheiros de partido e de luta. Só invocando de novo o Maestro Soberano: “O Brasil [de fato] não é para principiantes”.
Maravilhoso
É mesmo, Sílvio Osias?
Se Lula-lau conseguir assumir, eu vou rir muito da tua cara, porque o desastre vai ser enorme.
A conferir, Sílvio Osias.
Não estaremos em 2003 nem em 2007, como vocês “pensam”.
Estaremos em 2023.
Outra realidade, não é, Sílvio Osias?
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