Sob a proteção do tráfico, as gêmeas do crime continuavam a agir. Procuradas pela polícia, acusadas de aplicar o “boa noite cinderela” em pelo menos 12 vítimas, sendo uma delas asfixiada até a morte, Maíse e Michele Santos Araújo, 23 anos, estavam escondidas na Vila Dois Irmãos, na Engomadeira, onde buscavam novas vítimas em aplicativos de relacionamentos. Elas foram apresentadas, ontem, pela polícia, mas não quiseram falar.
Com prisão preventiva decretada, a dupla foi presa na quinta-feira, quando chegava a uma casa, em Jardim Nova Esperança. Lá, comemorariam o aniversário do comparsa Anderson Rezende de Almeida, responsável por transportar e revender o material furtado por elas. Antes disso, as irmãs se escondiam numa casa abandonada, na Engomadeira, cedida pelo chefe do tráfico. “Foi o traficante que pediu para que elas mudassem o visual, alisando e cortando os cabelos, para não chamar a atenção das pessoas”, informou a delegada Francineide Moura, titular da 28ª Delegacia (Nordeste de Amaralina), responsável pela investigação.
“Chegamos a ir lá, mas não encontramos a casa. Elas tinham o suporte do tráfico, inclusive olheiros que monitoravam os passos da polícia. O líder do tráfico não queria a prisão delas”, contou a delegada. O CORREIO apurou com agentes do Serviço de Investigação da 11ª Delegacia (Tancredo Neves) que o controle das bocas de fumo na região está com Galego e Da Roça, que são do Comando da Paz (CP).
Segundo a delegada, as gêmeas cheiram cocaína desde os 13 anos e usavam as próprias fotos em sites de relacionamentos como o Badoo e o POP. Marcavam encontros em bares ou na casa das vítimas, onde elas eram dopadas e tinham os pertences furtados. Há um policial militar e um guarda municipal entre as vítimas. A arma do PM, uma pistola 380, foi vendida ao líder do tráfico da Engomadeira por R$ 2.500 e a do guarda municipal, que era do mesmo modelo, saiu por R$ 1.500, segundo Moura.
Outros pertences do PM também foram roubados, como colete, distintivo e comida. Ele morava em Arenoso, mas o golpe foi no Cabula. Elas também agiram outras três vezes no bairro e fizeram vítimas em Simões Filho (um homem que foi esfaqueado), Amaralina, Uruguai e Nordeste de Amaralina, onde o último golpe foi aplicado, em 27 de julho. A polícia também investiga se houve golpes em Brotas.
Ainda não há um número exato de vítimas – cinco procuraram a polícia. “São 12, mas acreditamos que tenham mais. Muitos não querem vir à delegacia porque são casados e temem exposição”, disse Francineide. Segundo a polícia, todo material roubado era vendido no site OLX. Além de Anderson, outro cúmplice das mulheres também já foi identificado e é procurado.
Anderson era responsável por apresentar vítimas às gêmeas. Entre elas, o motorista do Samu Júlio César Souza França, 48, morto no dia 1º de abril, no Conjunto Arvoredo, em Tancredo Neves. “Ele morava em Simões Filho, mas usava esse apartamento para encontros”. Segundo a delegada, Júlio tomou o remédio oferecido pelas gêmeas e estava tonto, quando desconfiou da presença de Anderson. Em depoimento, elas disseram que um desconhecido entrou e matou a vítima. Para a polícia, ele foi morto para não revelar a identidade dos golpistas.
“Elas têm um cinismo impressionante. São frias. Não demonstram qualquer arrependimento”, afirmou a diretora do Departamento de Polícia Metropolitana (Depom), a delegada Fernanda Porfírio, durante a apresentação. As gêmeas eram procuradas desde 5 de julho, quando um homem fez uma denúncia na 28ª Delegacia. “Antes de procurar a polícia, ele disse que tentou reaver o que lhe foi roubado, dizendo que levaria o caso à imprensa. Mas elas bolaram um cartaz e divulgaram nas redes sociais que ele era estuprador. Temendo a repercussão do boato, ele nos procurou”, disse.
Segundo a delegada Francineide, uma das vítimas, que foi esfaqueada, mas sobreviveu, foi ameaçada de morte, e sua família também, caso denunciasse o caso à polícia. Mas a vítima entregou à polícia o celular onde havia uma conversa com uma das criminosas no aplicativo WhatsApp.
“Saí de sua casa achando que você estava morto. Se sonhasse que você iria sobreviver, iria terminar o serviço com os caras. Como você falou, foi um milagre. Se você ousar dar queixa ou nos procurar, sua família vai morrer. Estou com o endereço de suas filhas. Além de nós, essas informações estão com caras grandes e que se algo acontecer vocês morrerão”, dizia uma das mensagens.
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