Um dos principais produtos transportados e comercializados pelo tráfico de drogas, a cocaína registrou um salto de apreensões nas vias da Bahia no último ano. Dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF) apontam que, ao longo de 2022, 2.160 quilos da droga foram apreendidos enquanto eram transportados em território baiano.
O aumento é de 148% em relação a 2021, ano em que 870 quilos foram tirados de circulação. O número de apreensões de 2022 é, inclusive, o maior dos últimos cinco anos, período que a PRF tem registro quantitativo dos quilos do ilícito que foram encontrados em ações. As interceptações significam ainda um prejuízo para o crime organizado, que perdeu R$ 280 milhões.
Inspetora da PRF, Fernanda Maciel aponta que o recorde do quinquênio em apreensões de cocaína se deve a dois fatores: a persistência da movimentação do tráfico e as ações de inteligência da polícia. Isso porque, ao passo que os criminosos tentam modificar padrões e criar novas estratégias de escoamento das drogas, a polícia trabalha para impedi-las.
“Há uma continuação das atividades dos criminosos, que estão sempre criando novas técnicas de transporte de materiais ilícitos. E esse alto volume de apreensões é decorrente de capacitação, ações de inteligência e o emprego de tecnologia que deixam as abordagens mais assertivas”, fala a inspetora, que compõe a comunicação da PRF.
Sandro Cabral, é professor do Insper e Ufba de estratégia no setor público e autor de diversos trabalhos na área de segurança pública. Ele pondera, porém, que os números por si só não proporcionam uma leitura conclusiva se o que está aumentando é a eficiência da polícia ou as investidas do tráfico nas vias baianas.
“Não dá para saber, só com os dados da Bahia, se isso reflete um aumento do tráfico ou uma melhor eficiência da polícia. Era preciso saber dados dos outros estados, inclusive séries históricas. Porque, se por exemplo, todo mundo aumenta apreensão, seria um indicativo da eficiência”, ressalta.
Rotas principais
Se o número recorde do volume de cocaína é novidade, as principais rotas onde a droga é apreendida não são. O maior entroncamento rodoviário do Norte e Nordeste, localizado em Feira de Santana, na BR-116 continua sendo o ponto com mais volume de apreensões. Por lá, foram 1.107 quilos de cocaína, o que representa 51,25% do total apreendido em vias baianas.
Fernanda Maciel explica que a característica da BR-116, que em Feira de Santana dá acesso a vias importantes do Norte e do Nordeste do país, faz com que ela seja uma das rodovias preferidas do tráfico no processo de distribuição das drogas produzidas, em alguns casos, até fora do país.
“A BR-116, que passa em Feira de Santana, tem uma grande extensão. Nessa extensão, ela corta diversos estados brasileiros que fazem fronteiras com outros países. Uma BR, então, que está na rota do tráfico pela facilidade logística do escoamento”, diz.
Em segundo plano nas rotas baianas da cocaína está a BR-242, no trecho que passa pelo município de Barreiras, na região Oeste do estado. Lá, 426,67 quilos da droga foram apreendidos em 2022. Sandro Cabral explica o porquê:
“A BR-242 é um caminho para Brasília, então pode ter muito criminoso usando essa via para a capital ou para outro estados, já que é uma ligação para a região Centro-Oeste do país. É natural que esteja no caminho porque a Bahia é uma grande rota de passagem”, explica.
Impacto na segurança
Coordenador do curso de Direito da Estácio e especialista em segurança pública, o professor Antônio Jorge Melo avalia que os números mostram uma contínua consolidação da Bahia como espaço para circulação de drogas ilícitas. O que, para ele, impacta em diferentes frentes.
“Um aumento nas apreensões significa também um crescimento da circulação. Temos duas preocupações: saúde e segurança. A droga traz efeitos terríveis à saúde pública. Nesse passo, nos coloca como rota e mercado consumidor, abalando, claro, a área de segurança”, fala.
Esse abalo surge porque o dinheiro que chega ao crime organizado financia outras dezenas de crimes. Sandro Cabral cita os assaltos, assassinatos e roubos à bancos, prática no novo cangaço, como alguns destes delitos aliados ao tráfico.
“A atividade do tráfico viabiliza, por exemplo, a compra de armas. Essas armas podem ser usadas pelas quadrilhas, como também podem fazer surgir outras quadrilhas pelo acúmulo de recurso. Você cede armas para outras quadrilhas e amplia a ação criminosa”, destaca.
Para reduzir o impacto desse processo na Bahia, o professor Antônio Jorge ressalta que, mais do que ações de inteligência, é preciso desenvolver estratégias coordenadas com outros estados.
“A cocaína não é produzida aqui, ela vem de fora. Há como diminuir isso aumentando a nossa presença nas estradas e trabalhando de forma integrada com estados que fazem divisa com a Bahia e também são afetados por esse problema”, indica o professor.
Relembre as maiores apreensões
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