Paula Gama – Como está a última fábrica da Ford no Brasil dois … – UOL

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.
No tradicional pórtico de entrada, foi retirada a sinalização "Complexo Industrial Ford Nordeste"
A moldura da antiga placa da Ford aguarda a chegada de um novo ocupante
É possível perceber que o complexo segue bem cuidado, com grama cortada e limpeza em dia
Algumas placas revelam sinais do tempo
Uma das poucas placas que mantêm o nome "Ford" é também a mais castigada pelo tempo
No estacionamento, que já abrigou centenas de carros, havia apenas nove, provavelmente das equipes de segurança e manutenção
A montadora que comprar a fábrica terá que conviver com o nome da via, uma homenagem à Henry Ford
Jornalista especializada no mercado automotivo desde 2014, Paula Gama tem 28 anos e avalia diversos modelos no Brasil e no exterior. Nesta coluna, você terá opiniões sinceras sobre os lançamentos, cultura automotiva, tendências e análises de comportamento do consumidor.
Colunista do UOL
13/01/2023 04h00
Nada de mato alto, placas machadas ou cenário devastado: pátios vazios, grama cortada e nenhuma placa de identificação resumem a situação atual do Complexo Industrial Ford Nordeste, onde eram fabricados Ka e Ecosport, em Camaçari, na Bahia. A coluna esteve no local nesta semana e, para a nossa surpresa, o espaço, que no passado empregou mais de 4 mil pessoas diretamente, está em ótimo estado de conservação após quase dois anos sem produzir carros.
Estivemos na planta com Rafael Martins, o mesmo fotógrafo que visitou a fábrica há um ano com a Folha. Analisando as imagens, é possível perceber que a fábrica está mais bem conservada atualmente – momento em que as especulações sobre possível venda para BYD estão mais quentes – do que no mesmo período de 2021. Os detalhes mostram o cuidado da Ford com a imagem de sua antiga planta, como alguém cuida bem de um imóvel vazio para valorizá-lo na revenda.

No estacionamento, que um dia foi abarrotado de carros de funcionários, havia apenas nove veículos, praticamente o mesmo número de pessoas que conseguimos ver durante o período que estivemos nas redondezas, entre seguranças e funcionários de manutenção. Um deles, inclusive, mantinha a grama baixa com um pequeno trator.
O sinal do tempo e do esquecimento estão em pouquíssimas placas que restaram sinalizando que aquela é uma propriedade particular da Ford Company. As maiores identificações foram retiradas e a moldura aguarda a chegada de novos donos para que a vida volte a pulsar na região.
A fábrica da Ford foi desmontada aos poucos entre janeiro e dezembro de 2021. De acordo com um engenheiro que preferiu não ser identificado, 90% das máquinas foram direcionadas para a fábrica de General Pacheco, na Argentina, para serem vendidas em leilões para reaproveitamento do aço ou até mesmo como sucata.
“A empresa que assumir a planta terá que construir uma nova linha de produção. O que existe hoje em Camaçari é a infraestrutura base, ou seja, um lugar adequado para instalar máquinas e robôs, galpões. Mas a linha de produção não existe mais. Até os parceiros, em sua maioria, desmontaram o maquinário”, conta o técnico, que atualmente trabalha no Centro de Desenvolvimento de Produtos da Ford, que fica no Senai-Cimatec, onde seria instalada a fábrica da Jac Motors no passado.
Atualmente, segundo o profissional, apenas a equipe de Meio Ambiente vai até o local para a finalização de análises e outros trabalhos.
A fábrica empregava cerca de 4 mil trabalhadores diretamente, sem contar os empregados das empresas satélites, que forneciam peças e prestavam serviços à fábrica e seus funcionários. Com esse grupo, o número de desempregados sobe cerca de 20 vezes, de acordo com o Dieese.
Com tantas pessoas e setores envolvidos, o fechamento da fábrica resulta em uma perda inestimável para a economia do Brasil e, principalmente, da Bahia. É exatamente por isso que o governo baiano vem procurando substitutos para a montadora americana.
Nos últimos 24 meses, alguns nomes foram especulados, como Caoa e Great Wall Motors, que acabou comprando a antiga fábrica da Mercedes-Benz em Iracemápolis (SP). Na época, o então governador, Rui Costa (PT), atual ministro da Casa Civil do governo Lula, chegou a dizer que as negociações estavam aquecidas, mas não foi à frente.
Agora, o centro das atenções é a chinesa BYD, segundo a própria Ford revelou à coluna. “A Ford confirma que está em processo de negociação com a BYD para a venda da sua fábrica em Camaçari, na Bahia, mas neste momento não temos nada concreto para anunciar”, disse por meio de nota.
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A BYD e o governo da Bahia, no entanto, foram mais discretos sobre o assunto. “Com relação a essa informação, posso afirmar oficialmente que houve a assinatura do protocolo de intenções com o governo da Bahia, fato já conhecido”, limitou-se a comunicação da montadora chinesa. O governo baiano disse apenas que “ainda não há definição, a empresa permanece avaliando possibilidades”, sem citar a BYD.
O que a BYD produziria na Bahia?
A chinesa BYD é a maior fabricante de carros elétricos no mundo, e atua no Brasil desde 2014 em segmentos distintos. Em Campinas, interior de São Paulo, a companhia possui uma fábrica de chassis e ônibus elétricos, já em Manaus, Amazonas, produz baterias de lítio-fosfato de ferro.
Em outubro de 2022, a montadora assinou um protocolo de intenções com o governo da Bahia para instalar três fábricas no estado para produzir carros, ônibus elétricos e caminhões. Segundo o ex-governador Rui Costa anunciou, o complexo geraria cerca de 1,2 mil empregos em um investimento de R$ 3 bilhões. Na época, o mandatário afirmou que as plantas ficariam prontas até o fim de 2024.
A BYD nunca comentou os detalhes dados pelo governo da Bahia, no entanto, anunciou que pretende produzir carros no Brasil, mas não sem antes chegar à marca de 10 mil veículos vendidos anualmente. Atualmente, a marca possui quatro SUVs eletrificados em seu line-up: Song Plus DM-I, Yuan Plus EV, Tan EV e Han EV, mas o número de vendas ainda não passou de três dígitos.
Se confirmado, este não será o primeiro acordo da BYD com a Bahia. O grupo chinês também é responsável pela construção do VLT, sigla para Veículo Leve sobre Trilhos, que circulará em Salvador. Outro negócio bilionário.
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