atualizado 19/01/2023 13:06
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse a um grupo de mais de 100 reitores, na manhã desta quinta-feira (19/1), que vai respeitar a autonomia universitária e nomear os reitores mais votados nos processos eleitorais internos feitos pelas universidades. Ele também saiu em defesa do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).
“Eu quero que vocês saibam que a autonomia universitária será garantida nesse mandato nosso inteiro. Vocês vão ter o direito de ser responsáveis, porque quem é eleito para reitor, também é gostoso ser eleito, mas também deve ser gostoso ter responsabilidade com o dinheiro da universidade, com a administração da universidade e com o zelo pela universidade”, disse Lula ao final da reunião com o grupo. As falas do chefe do Executivo federal foram transmitidas pela TV Brasil.
“Não pensem que o Lula vai escolher o reitor que ele gosta. Quem tem que gostar do reitor são os professores da universidade, são os funcionários da universidade. É a comunidade universitária que tem que saber quem é que pode administrar bem. Isso posso garantir para vocês: vocês vão ter”, prosseguiu.
Em algumas ocasiões, especialmente no início do mandato, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) não acatou a decisão da maioria da comunidade universitária e nomeou segundo e terceiro colocados nas eleições das universidades. Foi o caso dos escolhidos para as federais do Triângulo Mineiro (UFTM), do Recôncavo da Bahia (UFRB) e para a Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), todos em 2019.
Apesar de a escolha do reitor ser prerrogativa do presidente, a nomeação de candidato menos votado rompe uma tradição que se mantinha desde 2003.
O mandatário ainda saiu em defesa do Fies, programa que financia a educação superior em instituições privadas. “Não adianta me dizer: ‘Ah, o Fies estava custando R$ 5 bilhões. Já tinha uma dívida de R$ 5 bilhões’. Não tem problema. Não tem problema”, iniciou.
“‘Ah, mas vai dar o cano, não vai pagar’. É muito pouco a gente achar que não vai pagar. Ele (estudante) não teve nem teve chance de provar se vai pagar ou não, ele nem arrumou emprego. Mas se o país tem tanta tolerância com os ricos que devem nesse país, por que a gente não tem a compreensão de que o jovem que se formou pode pagar a sua dívida?”, continuou.
Em seguida, Lula falou de casos de sonegação do Imposto de Renda e da Previdência Social e criticou: “A elite brasileira nunca se importou com a educação do povo, nunca se importou”.
Lula também disse ao grupo que pretende realizar reuniões anuais com o grupo para receber reivindicações. “E posso garantir para vocês: nós vamos fazer reunião anual. Todo ano a gente vai ter uma reunião para vocês se queixarem, para vocês cobrarem, para vocês dizerem que está faltando alguma coisa, para o ministro explicar, para eu explicar. A gente pode continuar divergindo, mas de forma civilizada, porque a democracia é isso. É a gente conviver na diversidade da forma mais democrática possível”.
O encontro no Palácio do Planalto reuniu 106 reitores e contou com a presença do ministro da Educação, Camilo Santana, além dos chefes da Casa Civil, Rui Costa, e da Secretaria-Geral da Presidência, Márcio Macêdo.
Durante o mandato de Jair Bolsonaro, a relação do governo federal com universidades públicas teve rusgas. Bolsonaro acusava as instituições de “militância” contra ele.
“Sabemos que, nas universidades, a militância é enorme. É um ‘carnaval’ contra a minha pessoa. Eu estou quase contra tudo e contra todos”, disse Bolsonaro em outubro de 2022.
No fim de novembro, a gestão Bolsonaro congelou R$ 344 milhões destinados para as instituições de ensino superior, segundo cálculos do Fórum Nacional de Pró-Reitores de Planejamento e de Administração das Instituições Federais de Ensino Superior (Forplad). Dias depois, o Ministério da Educação (MEC) recuou e desbloqueou o montante.
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