Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.
Milly Lacombe, 53, é jornalista, roteirista e escritora. Cronista com coluna nas revistas Trip e Tpm, é autora de cinco livros, entre eles o romance O Ano em Que Morri em Nova York. Acredita em Proust, Machado, Eça, Clarice, Baldwin, Lorde e em longos cafés-da-manhã. Como Nelson Rodrigues acha que o sábado é uma ilusão e, como Camus, que o futebol ensina quase tudo sobre a vida.
Colunista do UOL
16/11/2022 17h40
A ideia de que Jair Bolsonaro está muito triste vem sendo divulgada por todos os lados.
Há 16 dias ele não dá as caras. Alguns apontam para o fato de que já não trabalha mais, esquecendo de dizer que ele nunca trabalhou.
Nem durante os quatro anos como presidente do país, nem como deputado, nem como vereador. (Leiam “O Negócio do Jair”, de Juliana dal Piva).
O que ele fez, e fez com maestria – foi destruir uma nação.
São tantas as suspeitas de crimes cometidos por ele e sua turma que vai demorar anos para que tudo seja devidamente julgado.
Jair sabe que não escapará, e aqueles que indiretamente o apoiam há anos também sabem.
Quando a derrota para Lula se anunciava no horizonte começamos a escutar alguns sugerirem anistia.
Semanas antes do primeiro turno, o jornalista William Waack, na CNN, foi o primeiro que fez a sugestão fantasiada de pergunta. Naquele momento, a questão parecia deslocada.
Mas era apenas uma impressão. A colocação seguida de ponto de interrogação era uma semente que estava sendo plantada.
Depois, escutamos outros falando em pacificação, na falta de necessidade de punição, na bobagem que seria atuar por vingança.
Agora, derrota sacramentada, o quadro pintado passa a ser o de um Bolsonaro tristonho, choroso, deprimido, sofredor.
Coitado do Jair. Será que não podemos apenas esquecer e deixar ele sair?
Será que vale a pena nutrir tanta raiva? Notem como ele está abatido. Observem como, apesar de tudo, é humano o Jair.
Aquele que se achava imbrochável brochou de forma pública, notável e irreversível.
Não tem remédio no mundo capaz de reerguer o que caiu com ele.
Eu leio, reflito, vejo as imagens de Jair choroso e digo: dane-se.
Dane-se a tristeza, ainda que verdadeira.
Dane-se a depressão, ainda que real.
Danem-se as lágrimas.
Dane-se pacificação e anistia.
Dane-se essa indecente tentativa de humanizar o monstro.
Queremos sim vingança.
Queremos processos, julgamentos e punições.
Queremos cadeia se assim for decidido.
Queremos julgamento por crimes contra a humanidade.
Queremos que Jair viva bastante para passar por tudo isso.
Não trará ninguém de volta, não secará as lágrimas dos que perderam aqueles que amavam, mas nos dará uma sensação de justiça e de algum equilíbrio espiritual.
Chega de mimimi, Jair. Pega essa tua brochada monumental e coloca a cara no sol.
Vem ver Lula ser aplaudido mundo afora.
Vem ver a gente rindo, festejando, se beijando e dançando.
Acabou, porra.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL
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