Reportagem de VEJA desta semana mostra como o presidente Jair Bolsonaro, passado o choque inicial da derrota para o ex-presidente Lula, começou a tratar de seu futuro político fora do mais importante posto da República.
Entre as opções, está a ideia de não cair no ostracismo e assumir uma frente de oposição ao governo petista. Para isso, Bolsonaro viajaria pelo país como um representante da direita e do conservadorismo, teria um escritório para despachar e receber aliados e também manteria uma casa para morar em Brasília – tudo financiado pelo PL, partido ao qual é filiado.
A proposta de custear toda essa estrutura já foi feita pelo presidente da legenda, Valdemar Costa Neto, a Bolsonaro. O cacique do PL também ofereceu ao presidente um cargo de direção dentro do partido – dando-lhe alguma (mas não toda, claro) influência sobre a legenda.
Com o horizonte indefinido, Bolsonaro e seus aliados mais próximos buscam inspiração em outro continente para sustentar a tese de que é possível manter ao menos parte dos 58 milhões de votos que obteve em segundo turno. Derrotado em 2020 pelo democrata Joe Biden, o republicano Donald Trump ensaia disputar a Presidência em 2024. Pesquisas iniciais indicam uma chance de vitória do ex-presidente.
Não são poucas as semelhanças. Surpreendido pela derrota, Trump resistiu a reconhecer a vitória, apostou no caos ao contestar o resultado das eleições, incentivou a invasão ao Capitólio e, como consequência, foi alvo de operações policiais que acabaram sendo usadas como vitrine. Além disso, sequer compareceu à posse de Biden.
Em razão de publicações controversas nas redes sociais, o ex-presidente americano está com as contas bloqueadas há mais de um ano. Desde então, organiza comícios de cunho conservador, pró-armas e pela liberdade religiosa e faz viagens por diversas cidades, nas quais sempre dedica o discurso para criticar o sucessor.
Além disso, Trump, mesmo fora da Presidência, manteve-se como a principal liderança do Partido Republicano. Esse ponto, afirmam analistas, é um dos principais para que o ex-presidente mantivesse o poder e a influência – e, também, que é bem distante da realidade brasileira.
Para o cientista político Carlos Pereira, da Fundação Getúlio Vargas, a influência de Trump não pode ser comparável à avaliada por Bolsonaro principalmente porque o norte-americano conseguiu dominar o Partido Republicano mesmo sem ter um mandato – o que não deve acontecer com Bolsonaro no PL
“No Brasil, o multipartidarismo [são mais de 30 legendas] não permite que figuras como Trump e Bolsonaro tenham vida longa sem uma institucionalização. Nos EUA, com principalmente dois partidos, a dominância da estrutura partidária ficou completamente na mão do Trump, ele se transformou no grande financiador da legenda. Já no Brasil as estruturas são mais fragmentadas, diversificadas e não hierarquizadas. Assim, progressivamente a ausência dessa figura vá desenvolvendo conexões com outras lideranças”, afirma.
“Além de o nosso sistema político ser todo fragmentado, os republicanos são os mais organizados no mundo. Não tem qualquer paralelo. As estruturas partidárias americanas são muito fortes. O Bolsonaro não tem isso na mão dele, mas tem uma ramificação forte na sociedade – dentro das polícias, dentro do Exército, dentro do agro. Ele não tem um partido organizado, mas o Brasil não tem um histórico de um partido tão organizado quanto o republicano ou o democrata. Não existe nada comparável por aqui”, acrescenta o cientista político Miguel Lago, professor da Universidade de Columbia.
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