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Mestre em jornalismo social pela City University of New York, é professor de Comunicação e Jornalismo do Insper
Se em 2002 dizia-se que a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) era a da “esperança sobre o medo”, parece que em 2022 “o medo venceu o medo”. No caso, o de muitos eleitores de Lula sobre um retorno à ditadura —em grande parte validado pelas manifestações golpistas que se seguiram— venceu quem temia a derrocada dos valores da família cristã e a corrupção generalizada, que bolsonaristas associam ao PT.
Outros medos motivaram eleitores. Da posse de armas (ou de população desarmada contra a “tirania”), de proibição (ou legalização) de aborto ou drogas, de maior (ou menor) presença da religião na vida das pessoas. Pensar na eleição para presidente em 2022 foi para muita gente escolher um lado claro, assumir uma identidade —ou megaidentidade, na definição de Ezra Klein, que envolve um pacote de crenças, medos, inimigos, grupos de afinidade e, por que não, fatos.
E, para que o seu lado esteja muito bem definido, é preciso que a realidade se adeque às suas crenças, justificando o medo do outro.
Por muito tempo, acreditamos ingenuamente que ao saber determinadas informações é possível
—às vezes inevitável— formar opiniões certas. Mas “a causalidade é reversa. As pessoas acreditam nas razões porque elas acreditam na conclusão”, diz Daniel Kahneman, Nobel de Economia e talvez o maior especialista nas falhas do raciocínio humano.
Em uma eleição polarizada, em que ambos os lados acreditavam que o desfecho representava um risco existencial, houve uma enorme demanda por fatos que comprovassem as nossas crenças, que dessem a dimensão da catástrofe que seria a eleição do adversário. Nesse contexto, o consumo de fake news, a prevalência da desinformação, foi muito mais um sintoma que a causa —da polarização ou de qualquer resultado eleitoral.
Estamos hoje muito mais dispostos a acreditar em qualquer fato que dê vantagem ao nosso lado. Estudos realizados durante a pandemia mostraram que a polarização política era o melhor preditor sobre a receptividade de fake news. E a solidificação de ambientes informacionais segregados —com bolhas de pessoas que pensam parecido em grupos de WhatsApp ou Telegram, veículos de comunicação mais engajados contra ou a favor de candidatos, influenciadores digitais alinhados etc.— preparou terreno para informações confirmatórias. O volume de fake news circulado entre julho e outubro foi menos relevante que a preparação desse terreno.
A demanda crescente pelas mentiras foi e será o grande problema. A oferta de mentiras no WhatsApp, no Twitter ou nos intervalos do culto é consequência por vezes superestimada —ao menos em termos de resultado eleitoral.
Independentemente do tamanho do efeito prático, o excessivo foco em fake news como explicação para derrotas nos últimos anos tem um custo nada desprezível. Em primeiro lugar, porque nele está implícita a ideia de que se houvesse um “clima informacional mais saudável” a vitória de um lado seria inevitável. Isso limita uma possível autocrítica e melhor entendimento dos anseios do eleitorado.
E, em segundo lugar, mas não menos importante, a ideia de que fake news têm superpoderes de convencimento faz com que elas sejam abraçadas como estratégia quando o medo da alternativa é grande o suficiente. E normalizar a mentira nos dois lados têm um efeito deletério que vai muito além do período eleitoral.
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