Eleições 2022
Ex-presidente evita avançar no tema, mas o QG lulista planeja ato simbólico para consolidar aval de economistas liberais
Este conteúdo integra a cobertura do JOTA PRO PODER e foi distribuído antes com exclusividade para assinantes PRO. Conheça!
Iniciando o segundo turno com apoios dos candidatos do centro que tiveram melhor resultado nas urnas, a campanha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) optou por radicalizar na guerra religiosa nas redes sociais em resposta à mobilização evangélica em favor do presidente Jair Bolsonaro (PL) na reta final de setembro.
O núcleo de campanha do PT preferiu postergar qualquer movimento que dê mais previsibilidade às suas diretrizes econômicas e até a eventuais nomes da área, caso o ex-presidente seja eleito.
O entendimento majoritário no QG lulista é o de que somente uma redução substantiva da vantagem para o rival levaria o candidato petista a acelerar indicações nesse sentido.
Chegaram ao entorno de Lula mensagens do empresariado cobrando mais clareza no seu programa, em especial no campo do equilíbrio fiscal, e sugestões de potenciais ministros da Fazenda como sinalizações de relevo para a segunda fase do pleito.
Segundo apurou o JOTA, os apelos reiterados ainda não convenceram o petista, que segue com o plano de driblar as polêmicas na área econômica, apostando na ampliação dos apoios de expoentes políticos centristas, sobretudo do PSDB e do MDB, além do protagonismo do vice Geraldo Alckmin, ex-tucano, como credenciais de moderação.
O que se discute no comitê petista, por ora, é uma articulação para reunir banqueiros e economistas que apoiam Lula num grande evento que simbolizaria aval de uma parcela expressiva do sistema financeiro à sua candidatura.
Entre eles estariam Armínio Fraga, Pérsio Arida e André Lara Rezende, todos prováveis componentes de um conselho consultivo que seria liderado por Alckmin para estudar soluções e fórmulas para subsidiar a equipe econômica de um futuro governo.
Setores mais moderados do PT têm defendido gestos mais robustos, como a produção de um documento com conceitos relacionados à gestão das contas públicas e até mesmo a apresentação de um candidato a assumir a Economia, com o figurino de Henrique Meirelles, por exemplo.
Ocorre que na cabeça do ex-presidente a hipótese de guindar seu ex-presidente do Banco Central para o cargo ainda é vista com reservas. Sobretudo porque o petista insiste que não pode cometer um “estelionato eleitoral”, depois de prometer colocar os “pobres no orçamento e os ricos no Imposto de Renda”.
Meirelles é o pai do teto de gastos e teria um perfil que não dialogaria com a perspectiva de expansão de investimentos públicos no principal reduto lulista, o Nordeste.
Interlocutores da campanha afirmam ainda que os rumos da política fiscal, monetária, do papel dos bancos públicos, da geração de emprego e renda já foram explicados “minuciosamente” em rodas de conversa com segmentos do mercado e do empresariado.
Há quem espere que a aliança “programática” firmada com Simone Tebet (MDB) ajude na tarefa de incorporar pontos de seu plano econômico, formulado pelo que a senadora chama de “melhor time de economistas liberais do país”, e possa viabilizar os acenos que o mercado deseja.
Na linha de frente da campanha de Lula, contudo, a ênfase estratégica está na ofensiva para rebater as notícias falsas que atribuem ao petista uma suposta perseguição a igrejas, padres e pastores. A avaliação do QG lulista é a de que foi o front religioso que impediu o ex-presidente de vencer a eleição no primeiro turno.
Além de montar um time de multiplicadores e influenciadores digitais para apresentar um discurso de contraponto, expondo imagens de Lula com lideranças de variadas denominações religiosas, a campanha quer levar o petista a solenidades como a Festa de Nossa Senhora Aparecida, no interior de São Paulo, e o Círio de Nazaré, em Belém, ambas previstas para a próxima semana.
Fábio Zambeli – Analista-chefe em São Paulo. Jornalista com 28 anos de experiência em cobertura política e dos Três Poderes em São Paulo e Brasília. Foi repórter e editor da Folha de S. Paulo e diretor de inteligência e atendimento na área pública da FSB Comunicação. Email: [email protected]
Compartilhe Facebook Twitter Whatsapp
Tags Economia Eleições 2022 IF Jair Bolsonaro JOTA PRO PODER Luiz Inácio Lula da Silva
Eleições 2022
Depois de encontro de Bolsonaro com ministros do Supremo, Paulo Guedes diz que ‘já está tudo certinho’
Flávia Maia | Eleições 2022
Ofícios
Procuradores da República e subprocuradores cobraram do PGR atitude para desmobilizar os atos
Erick Gimenes | Eleições 2022
Eleições 2022
Presidente não reconheceu expressamente vitória de Lula e questionou bloqueios nas rodovias. Ciro Nogueira anunciou que comandará transição
Felipe Betim | Eleições 2022
Saneamento – Avanços e desafios
Próximo governo enfrentará desafios, mas deve se fiar nas premissas do novo Marco Regulatório
Mariana Saragoça, Julia Barker | Artigos
Articulação
Conversa entre a equipe de Lula e Bruno Dalcolmo, porém, ainda não começaram, segundo ministro Marcelo Queiroga
Melissa Duarte | Saúde
novo governo
Ponto de partida será ter a exata noção do montante de recursos disponíveis para 2023
Lígia Formenti | Coluna da Lígia Formenti
Campanha de Lula resiste a antecipar pauta econômica e opta por guerra religiosa – JOTA