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A Copa do Mundo do Qatar chegou ao fim no último domingo (18) com uma final de tirar o fôlego e a Argentina conquistando o título sobre a França. Para os mais fanáticos por futebol, foi a hora também de começar a contagem regressiva já de olho no próximo Mundial, em 2026. Hoje, faltam exatos 1.265 dias para o que está prevista para ser a data de abertura da competição.
A expectativa em campo, claro, é que Estados Unidos, Canadá e México possam abrigar uma competição com jogos tão emocionantes quanto foi a decisão que coroou o tri argentino. Mas é certo que, seja dentro das quatro linhas ou fora deles, haverá muitas diferenças para o torneio no Qatar.
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A começar pelo número de seleções, que serão, pela primeira vez, 48 e não mais 32, além de ser a primeira Copa organizada em três países diferentes. É possível que os grupos tenham três equipes e não mais quatro também, em algo que a Fifa ainda estudará alterar até 2026.
Para já entrar no clima da próxima Copa, mas sem esquecer tudo que foi vivido no Qatar, o ESPN.com.br lista abaixo alguns elementos que foram marcantes em 2022, mas que não deverão ser repetidos em 2026.
Alguns torcedores registraram o feito de terem assistido, do estádio, a todas as 64 partidas da Copa, inclusive as simultâneas, com deslocamentos entre o primeiro e segundo tempos. Algo que só foi possível no Qatar por todos os estádios estarem a não mais de 55 quilômetros de distância de Doha.
Havia transporte terrestre para todos eles, fosse de metrô, para aqueles que tem estações próximas, ou com ônibus disponíveis para os mais afastados, como o Estádio Al Bayt, palco da semifinal entre França e Inglaterra – o veículo levava torcedores a partir da última parada dos trens.
Na primeira Copa em três países diferentes, claro, isso será impossível. Ainda mais considerando que os Estados Unidos, o que terá mais sedes, com 11, têm proporções continentais.
O plano da Fifa é que dividir os países em regiões – Leste, Oeste e Central – para tentar diminuir os deslocamentos, mas ainda assim, Vancouver no Canadá e Guadalajara no México, por exemplo, estão separados por mais de 4,4 mil quilômetros, apesar de estarem no “mesmo lado”.
Isso também pode impactar nas logísticas de cada seleção, já que, no Qatar, todas escolheram uma base fixa para hospedagem e treinamentos sem precisar se preocupar com onde aconteceria o próximo jogo. Em 2026, os planejamentos podem ser adaptados de acordo com as viagens.
Marrocos foi uma das grandes histórias da Copa de 2022. Mas não só pelo que fez dentro de campo, com a histórica campanha só encerrada na semifinal; fora dele, seus torcedores deram show. A identificação árabe e o alto número de imigrantes de origem africana no Qatar fizeram a seleção jogar em casa.
Poucas torcidas fizeram tanto barulho nos estádios como os marroquinos, mas outras equipes de origem árabe também contaram com apoio massivo. A Arábia Saudita, por exemplo, teve numeroso apoio sempre que jogou, com momento de delírio com a vitória sobre a Argentina; assim como a Tunísia, que fez sua torcida enlouquecer ao bater a vice-campeã França na fase de grupos.
Houve ainda um inusitado reforço a torcidas que tradicionalmente são famosas em Copas do Mundo, como o apoio de fãs da Índia ao Brasil ou de Bangladesh com a Argentina, por exemplo.
A distância para Estados Unidos, Canadá e México deve dificultar a viagem de todos esses grupos para 2026, com a expectativa de forte presença americana (seja do Sul, Norte ou Central) e europeia.
Às vésperas do início da Copa, o Qatar anunciou uma mudança no que estava previamente acordado em relação à venda de bebidas alcóolicas nos arredores dos estádios. Houve limitação no horário e os postos foram colocados ainda mais distante de onde aconteceriam os jogos.
Não houve, porém, proibição completa. No Qatar, era possível consumir bebidas alcóolicas até dentro do estádio, desde que você estive no chamado setor de “Hospitalidade”, a área VIP das arenas. No país, também existiam alguns bares e restaurantes com venda permitida, embora os preços fossem proibitivos para muitos – uma cerveja, por exemplo, custava mais de R$ 70.
Cenas comuns em outras Copas, com torcedores bebendo em bares abertos ou por vezes até na rua, eram impossíveis no Qatar. Os supermercados também não vendiam álcool, sendo necessária uma autorização especial em um estabelecimento específico para sua compra para consumo em casa.
Para 2026, nenhum dos países que serão sede têm qualquer restrição semelhante, o que deve fazer com que a Copa seja muito mais “alcóolica” do que em 2022. A principal cervejaria parceira da Fifa para o Mundial, inclusive, é norte-americana.
Estádios modernos, transporte quase sempre funcional, boa infraestrutura. São alguns os elogios que podem ser feitos ao Qatar por sua organização para a Copa, mas há um ponto que foi comum em diversas ocasiões no torneio: problemas de informação para orientar torcedores ou mesmo jornalistas.
Há um episódio curioso presenciado pela reportagem do ESPN.com.br para ilustrar o problema: campeão do mundo com a França em 1998, Bixente Lizarazu esteve no Qatar para ser comentarista da Copa para uma televisão de seu país. Ele se perdeu em meio a torcedores na tentativa de encontrar as tribunas de imprensa, e nenhum funcionário sabia indicar o caminho.
A impressão é que os profissionais, que são voluntários, eram orientados apenas para o que era sua função específica, fosse conferir uma credencial ou indicar uma entrada determinada. Qualquer outra pergunta que fugisse dessa tarefa muitas vezes ficava sem resposta.
O exemplo com Lizarazu – que acabou “salvo” pela reportagem do ESPN.com.br graças a um adesivo indicativo colado no chão – aconteceu na estreia do Brasil na Copa, no Estádio Lusail. Havia um funcionário controlando a saída de um portão próximo ao centro de mídia onde ficam os jornalistas, mas ele simplesmente não sabia onde ficavam as tribunas – que, no fim, tinham a entrada a apenas alguns metros dali.
Falhas de comunicação que permitiram, por exemplo, que um torcedor, que foi acompanhado pelo ESPN.com.br, conseguisse burlar a segurança e visse jogos em todos os estádios da Copa sem pagar ingresso. A expectativa é por um esquema melhor daqui três anos e meio.
Para finalizar, a Copa de 2026 não deve ter a presença de Lionel Messi, que, agora campeão, já havia anunciado que se despediria dos Mundiais no Qatar.
Há outros craques que também fizeram sua última Copa em 2022, incluindo Cristiano Ronaldo, também da prateleira mais alta dos grandes jogadores dos últimos tempos.
Antoine Griezmann, Luka Modric, Thiago Silva, Daniel Alves, Manuel Neuer, entre outros, são mais alguns nomes de peso que devem ter se despedido das Copas do Mundo.
Cinco coisas da Copa do Mundo no Qatar que não devem se repetir em 2026 em EUA, Canadá e México – ESPN.com.br