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Ciro aponta a solução de transformar o déficit de R$ 100 bilhões em superávit de 200 arrecadando R$ 300 bilhões a mais, com algumas providências fiscais
Uma coisa ninguém pode negar ao candidato do PDT, Ciro Gomes: ele tem uma capacidade extraordinária de transformar os mais complexos problemas da economia brasileira numa coisa tão simples que a gente quase acredita que, se for eleito presidente, ele pode resolver. Nisso ele é competente para valer.
Claro que algumas das premissas ele define e cita como referência o que fez no Ceará, que, segundo afirma, resolveu, na prática, os grandes problemas econômicos estruturais.
Para quem gosta de ouvir uma boa conversa, ele é o estado da arte. Mas o fato de que, feitas as contas, nenhum partido que tenha conversado se disponha a acompanhá-lo, pode explicar esse seu isolamento em termos de força eleitoral.
E porque não é só ele que sabe fazer contas, embora nem todo mundo tenha a facilidade de transformar números em belas fábulas.
O Ceará de fato tem há muito tempo a chamada Capag A, segundo a Secretaria do Tesouro Nacional, e sua administração pública tem, de fato, uma consciência muito clara sobre onde quer estar em 10 e 20 anos, perspectiva que a maioria dos estados do Nordeste, inclusive Pernambuco, não tem.
O diagnóstico da nossa Dívida Pública Federal é bem interessante. Ele diz que, sendo ela de R$ 2 trilhões, o OGU reserva 500 milhões apenas para a rolagem, bem mais dos R$ 300 bilhões gastos com Saúde e Educação.
O problema é quando aponta a solução de transformar o déficit de R$ 100 bilhões em superávit de 200, arrecadando R$ 300 bilhões a mais com algumas providências fiscais.
Ciro diz que vai cortar 20% em renúncia fiscal arrecadando R$ 70 bilhões, cobrar Imposto sobre Lucros e Dividendos recebendo mais R$ 80 bilhões, cobrar ITR em mais R$ 10 bilhões, aumentar as alíquotas de IR para quem ganha super salário (acima dos 27,5%) e, finalmente, cobrar impostos de grandes fortunas (quem tem aplicado mais de 20 milhões), que estima em mais R$ 80 milhões.
Ciro faz uma outra conta bem simples quando diz que pode zerar a dívida dos brasileiros no SPC e Serasa, se propondo a ser o condutor de uma negociação que pode reduzir em até 90% o valor de face (R$ 280 bilhões conforme números do Serasa), que reduziria a conta para R$ 14 bilhões – que transformariam a dívida em R$ 1.400, que seriam pagas em até 30 meses.
O deságio é verdade na média, mas o parcelamento, os feirões Limpa Nome já fazem, mas até agora o número de devedores não para de crescer.
Mas ele tem razão quando diz que precisamos mirar na meta de ter a melhor educação em 15 anos. E diz que é preciso retreinar todos os professores. Isso é uma boa ideia, pois é uma coisa que cria perspectiva de futuro, embora a solução Ceará não seja a única como ele se refere.
O problema é quando envereda para a ideia de não reconhecer o Centrão como agente no Congresso e sua atual força política na execução do orçamento.
Todos concordam que Jair Bolsonaro cometeu um erro estratégico quando ajudou a eleger Arthur Lira e dar a ele o controle de uma parte do orçamento. E que isso transformou o OGU do Parlamento numa espécie de Gestão Municipalista compartilhada, onde cada deputado está preocupado apenas com sua base nas próximas eleições.
Mas o problema é o caminho de volta proposto por Ciro. Negociar no atacado o seu projeto ainda nos primeiros seis meses e convocar plebiscito quando as negociações chegarem a um impasse.
Plebiscito é coisa muito complicada. Só faz plebiscito quem está certo de que terá sua proposta aprovada ou disposto a tomar o poder na força se perder, a acreditar quem tem apoio para isso. E quando o dirigente não percebe isso, acontece o que aconteceu no Chile.
Sobre negociar no atacado, é um caminho bom. Mas propor plebiscito em caso de impasse é flertar com uma crise maior num país que tem como base o sistema presidencialista.
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