Copa do Mundo é Copa do Mundo: números que envolvem a competição – InfoMoney

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O mundo dos negócios do futebol está se movimentando enquanto a Copa do Mundo segue animada. Jogos bons, jogos ruins, gols, a boa estreia da Seleção Brasileira. Nada impediu de vermos notícias sobre o interesse da Fenway de vender o Liverpool e da família Glazer em negociar o Manchester United. No Brasil, tivemos algumas conversas sobre abertura de capital de clubes de futebol e as conversas sobre novas SAFs seguem. Mas falarei sobre isso depois da Copa.
Nesta coluna, o tema será dinheiro. Investimentos, custos, gastos, valores envolvendo a Copa do Mundo. Primeiro, falaremos sobre os investimentos do Catar para receber o Mundial.
Na semana passada, falamos de legado nas competições esportivas de grande porte. Legado se mede de maneira tangível, ou seja, com números, e intangível, com ganhos que podem ser emocionais, sentimentais e de evoluções que só existiram por conta dos eventos.
O Catar busca as duas coisas. Por um lado, quer se firmar como um centro importante de negócios, rivalizando com Abu Dhabi e Dubai como polo de negócios no Oriente Médio. É uma estratégia que faz todo sentido, à medida em que a economia do país depende muito de petróleo e gás natural, matérias-primas que o desenvolvimento humano recente coloca em xeque como matriz energética. Diversificar as fontes de renda do país deveria, portanto, ser parte de um planejamento de longo prazo.

Entre 2010 – quando foi anunciado como sede da Copa do Mundo de 2022 – e o início do mundial, estima-se que o Catar tenha investido cerca de US$ 220 bilhões. Uma média de US$ 18 bilhões anuais que, para um país cujo PIB gira na casa dos US$ 180 bilhões, significa bastante dinheiro.
Antes de começarem as críticas, cerca de US$ 10 bilhões foram destinados aos estádios. São 4,5% dos investimentos. Estruturas que podem ser consideradas elefantes brancos em países sem futebol desenvolvido, os estádios serão desmontados e o que for possível será transferido para países pobres que precisam desses equipamentos.
Podemos questionar o que quisermos, e este é um direito de todos, mas dos US$ 210 bilhões que restaram, cerca de US$ 36 bilhões foram investidos na construção de uma estrutura de metrô em Doha e outros US$ 59 bilhões foram para hospitais, aeroportos, estradas. Uma cidade para 200 mil pessoas (Lusail, onde o Brasil estreou) foi inteiramente construída. Para um país que tem 300 mil pessoas nascidas lá, e um movimento de mais de 2 milhões de estrangeiros que o habitam, é algo impressionante.
Agora, como o país espera recuperar este investimento? Com o aumento do fluxo de turismo e negócio. Apenas para a Copa, espera-se a chegada de 1,3 milhão de pessoas. Se fizermos uma conta bem exagerada e otimista, se cada turista gastasse US$ 500 enquanto estivesse no Catar, deixariam US$ 650 milhões aos cofres do país, o que é nada perto dos investimentos. Ou seja, não é daí que vem o retorno.
Valores tão grandes demandam prazo, e muito longo prazo, para avaliarmos os retornos.
Falando em retorno, vamos aos números da Fifa. Segundo alguns estudos e matérias da imprensa internacional, a entidade máxima do futebol espera fazer US$ 4,7 bilhão em receitas, de patrocínio à bilheteria, com custos de premiação e organização da ordem de US$ 1,7 bilhão. Ou seja, a Fifa deve ter um lucro total da ordem de US$ 3 bilhões com a Copa.
Como a Copa do Mundo é o grande evento de geração de receitas da entidade, é preciso analisar seus números considerando o ciclo de quatro anos entre as competições. Nesse sentido, a Fifa tinha um orçamento de US$ 6,4 bilhões em receitas nos quatro anos entre 2019 e 2022, sendo que mais de 70% dessas receitas é feita no ano da Copa.

No mesmo ciclo de quatro anos, a Fifa estimava investir cerca de US$ 6,3 bilhões, incluindo aportes de recursos no desenvolvimento do futebol pelo mundo. Em 2021, a entidade tinha cerca de US$ 3 bilhões em caixa, praticamente sem dívidas. Ou seja, bastante saudável.
Outro aspecto que sempre surge em períodos de Copa do Mundo é o preço das camisas das seleções. Todo mundo quer torcer com a camisa mais nova. Na atual temporada, os preços foram para as alturas. Natural, considerando a inflação mundial recente, após pandemia e guerra.
Mas por que a camisa é tão cara, se a camisa pirata custa 25% do valor?
Primeiro, parte relevante da resposta está na relação entre Formalidade e Pirataria. Fiz algumas pesquisas sobre como se formam preços de camisas de seleções europeias – e como as cadeias de produção são globais, dá para dizer que valem para o Brasil enquanto conceito – e vou tentar mostrar para onde vai o dinheiro de uma camisa de seleção.
Uma camisa oficial da Seleção Alemã é vendida na Europa por € 139. Uma camisa de clube de primeira linha custa entre € 90 e € 110. Esse valor, de maneira geral, é distribuído da seguinte forma:

O custo direto de produção – material, mão-de-obra, embalagem e transporte – é da ordem de 11%. Parece pouco – e é mesmo. O problema é que a partir daí adicionam-se outros valores:
6,0% são valores pagos às federações para uso da marca;
5,2% são investimentos em marketing direto para lançamento e promoção da camisa;
22% são impostos, e isso é uma média do IVA na Europa;
Sobram 18,7% para quem produz. Essa parcela serve para bancar os custos da estrutura: administrativos, pessoal, financeiros etc. Não é “lucro”, mas receita que sobra para pagar as contas.
37,1% é quanto fica nas mãos do varejo, a loja que vende para o consumidor final. Mas, considerando que isso é bruto, e a margem líquida de um varejista é da ordem de 5% quando muito boa, significa que 1,9% é “lucro” do lojista, e o restante 35,1% são custos de locação, salários, comissões, marketing, logística, ou seja, a operação do lojista.

Quando comparamos esses valores com a camisa pirata, a realidade é que os falsários têm apenas os 11% de custos de produção – que deve ser menor, porque a qualidade do material nem sempre é a mesma – e alguma coisa de custo de transporte e margem do “lojista”.
Pensando nos € 139 da camisa original, uma camisa pirata deve custar cerca de 15%, ou algo como € 20. Mas não paga impostos, não paga direitos de uso, não remunera uma estrutura formal e com empregos de produção – cada vez mais fiscalizados – e lojistas.
A Copa tem muitos números. No fim das contas, para o torcedor o que importa são alguns poucos: sete partidas, mais gols a favor que contra, e que tudo se transforme em vitórias e na conquista do Hexa, no caso do brasileiro. Por aqui, só um pouco de curiosidades com esses outros números.
Segue o jogo!
Cesar Grafietti Economista, especialista em Banking e Gestão & Finanças do Esporte. 27 anos de mercado financeiro analisando o dia-a-dia da economia real. Twitter: @cesargrafietti
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