Pia quer criar plano de desenvolvimento do futebol feminino no Brasil – DIBRADORAS


lugar de mulher é no esporte

A técnica Pia Sundhage chegou ao Brasil em 2019 para um projeto de longo prazo. E a ideia dela vai muito além de levar a seleção brasileiro a uma grande conquista pela primeira vez na história. Treinadora bicampeã olímpica com os Estados Unidos – e medalhista de prata com a Suécia -, ela tem uma vasta experiência na modalidade e busca fazer por aqui algo inédito (para além de garantir uma medalha).
Em entrevista ao Sportv que foi ao ar nesta segunda-feira no pré-jogo do Brasileiro Feminino, Pia falou sobre a criação de um “Plano de Desenvolvimento para o Futebol Feminino”. Ela citou o que foi feito na Suécia e na Espanha como exemplos do que gostaria de implementar aqui. Ao comentar sobre o desenvolvimento da base no Brasil, a sueca mencionou o papel que as federações tiveram para que projetos de categorias sub-17 e sub-20 de países europeus fossem bem-sucedidos e tivessem um impacto nos resultados da seleção principal.
“Desde que eu cheguei aqui, em 2019, coisas (para a base) aconteceram. E isso é ótimo. Criamos uma mentalidade vencedora nas categorias de base e isso é bom para a seleção brasileira. E elas ganham experiência, o que é ótimo também. Vamos falar de parte física, quando você tem 15 anos, você não sabe muito sobre o seu corpo. Mas se você começa a aprender o que seu corpo precisa para ser uma jogadora de alto nível, você pode começar a fazer isso quando tem 14 anos, 15 anos e isso passa por um processo planejado. E quem faz isso? Na Suécia, a federação faz. Para nós, seria por exemplo o Fabio (Guerreiro, preparador físico) e o (Luciano) Capelli (fisiologista), acompanhando as atletas e ajudando no desenvolvimento delas no sub-17 e sub-20. Esse tipo de processo, de projeto, ajudou muitos países na Europa.”
Entre os países europeus que chegaram às semifinais de Copas do Mundo e Eurocopa, por exemplo, todos passaram por um processo parecido: mais investimento e um plano de ação conjunto de federação e clubes para desenvolver ações que promoveriam o futebol feminino nesses países. Isso passava por criação de competições de base, mais investimento dos clubes, ligas mais fortes e competitivas – e tudo isso, claro, tem reflexo no topo da pirâmide, que é a seleção.
A ideia de Pia seria fazer algo similar no Brasil. Ter uma plataforma para debater junto com clubes, treinadores e outros agentes da modalidade ações para desenvolver o futebol feminino.
“Tem uma coisa que eu realmente gosto que é compartilhar conhecimento. É uma coisa que vi nos EUA, na China, na Europa. Para chegar lá, você precisa começar com as meninas de 15 anos. Fazer com que as meninas entendam que elas precisam mudar seus hábitos. Se você quer ser uma grande jogadora, você precisa estar disposta a fazer sacrifícios. Eu gosto da ideia de começar um projeto, não apenas para a seleção, mas olhar por exemplo para o Campeonato Brasileiro, e compartilhar histórias”, afirmou ao Sportv.
“A principal coisa que podemos fazer é começar um processo, um projeto que inclui os clubes. Porque isso é exatamente o que a Suécia fez, o que a Espanha fez. Temos que aumentar o nível do Brasileiro. E assim você tem uma discussão. Deveria ter 16 times? Eu ouvi gente dizendo que achava que deveria ter menos times. Mas ter uma discussão saudável: acho que deveríamos fazer isso ou não deveríamos fazer isso. Uma discussão em que não precisamos concordar, porque isso é importante, mas temos diferentes influências. Encontrar uma plataforma para isso e simplesmente falar de futebol, assistir, discutir e eventualmente encontrar alguns pontos em comum: o Brasileiro está assim, se fosse de tal jeito, isso poderia ter um impacto positivo na seleção. Precisa de uma plataforma, precisa ter essa discussão, e a gente precisa discordar juntos”, completou.

Questionada se já havia levado alguma dessas ideias internamente para a CBF, Pia disse que sim.
“Até agora, tudo é muito focado na seleção, mas nós já falamos sobre isso algumas vezes e acho que é importante. Se o Brasil quiser ter sucesso quando a Marta não jogar mais, quando o próximo técnico vier, eu tenho certeza de que o próximo técnico pode ter muito sucesso aqui se nós começarmos algo assim. Agora ainda são apenas palavras. Ainda há uma distância entre palavras e ações. Mas vamos tentar.”
Para conseguir implementar algo assim, será preciso “convencer” pessoas importantes dentro da CBF, para além do núcleo do futebol feminino. E desde que Pia chegou ao Brasil, ela já teve três pessoas distintas no comando da modalidade dentro da confederação. De início, em 2019, era Marco Aurélio Cunha. Depois, a partir de setembro de 2020, foi Duda Luizelli. Agora, desde janeiro, é Aline Pellegrino. Independentemente da pessoa que está na função, as frequentes trocas acabam afetando os planos de Pia na seleção brasileira. Perguntada sobre o impacto que isso teve no seu trabalho, a treinadora disse:
“Eu sempre tento ser positiva e olhar para o próximo passo. Uma palavra que vem à mente é paciência. Porque eu tenho que explicar, como eu falei aqui que queria trabalhar com os clubes, eu tenho que contar essa mesma história três vezes. E isso leva tempo. E claro, todos sentem quando chega alguém novo. Você sabe, a mudança. A primeira coisa é fazer boas análises, alinhar todo mundo no mesmo caminho. Então acho que nós perdemos um pouco de tempo.”
A Holanda criou um plano assim e foi campeã da Eurocopa de 2017 e vice-campeã da Copa do Mundo de 2019. A Inglaterra fez o mesmo e foi semifinalista nas duas últimas Copas. A França teve um planejamento similar, foi campeã de competições de base e se tornou uma das principais seleções do mundo hoje. A Espanha, idem. Para o Brasil entrar (atrasado) nessa corrida, seria importante começar algo assim. Por essas e outras, a importância da presença de Pia Sundhage na seleção vai muito além do que vemos dentro de campo.
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